PSD, CDS e PS chumbam audição do director dos serviços de informação

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Alegado relatório do SIS avisava para "situação catastrófica" no dia da gereve geral. Nuno Ferreira Santos

Segundo o deputado comunista António Filipe, o relatório, que é referido no Diário de Notícias de terça-feira, descreve um cenário que “quase faz lembrar a Guerra dos Mundos”, e argumentou a necessidade de aferir se o seu conteúdo “induziu” as forças de segurança na sua actuação durante o dia da greve geral, na passada quinta-feira.

Por outro lado, o deputado do PCP considerou que o cenário traçado é quase baseado num “palpite”, dada a alegada ausência de fundamentação, e disse ser um “enxovalho” para os serviços de informação que um relatório confidencial, que foi distribuído às forças de segurança, seja veiculado na comunicação social.

De acordo com o Diário de Notícias, “os cenários sugeridos pelo SIS eram catastróficos, apesar de admitirem no mesmo relatório que não tinham indícios concretos sobre o que estavam a dizer. Admitiam, por exemplo, a possibilidade de haver ruas ocupadas bem como edifícios bancários e instalações ministeriais atacados e alertavam que estes bloqueios podiam durar várias horas”.

A deputada do BE Cecília Honório apoiou a iniciativa do PCP, alegando a “necessidade de esclarecer se não foi por esta via que foi construído um cenário de apocalipse”.

A maioria PSD/CDS, que tinha acabado de viabilizar a audição do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, naquela comissão, para prestar esclarecimentos sobre a actuação das forças de segurança, que envolveram a agressão a dois fotojornalistas, recusou contudo este pedido.

“A existir esse relatório, terá sido enviado ao Ministério da Administração Interna”, afirmou o social-democrata Hugo Velosa, que questionou se “as notícias sobre o relatório não têm um grau de falsidade” e sublinhou igualmente que existe um conselho de fiscalização dos sistemas de informação.

Telmo Correia, pelo CDS, secundou os argumentos de Hugo Velosa, afirmou que “nem sempre aquilo que é reproduzido [nos jornais] é exactamente textual ou rigoroso” e considerou que António Filipe também “deu pouco mais do que um palpite” quando disse que um relatório que não tinha lido era “fantasioso e alarmista”.

O socialista Ricardo Rodrigues argumentou que quem deveria responder seria o conselho de fiscalização dos serviços de informação e não, em primeira linha, o director daqueles serviços.

A deputada socialista Isabel Moreira votou, contudo, favoravelmente o requerimento do PCP, justificando que o ministro da Administração Interna não tem a tutela dos serviços de informação (é o primeiro-ministro quem tutela directamente aqueles serviços) e, portanto, não poderá prestar os devidos esclarecimentos sobre o relatório.

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