Liga dos Campeões

Crónica de jogo: Pouca sorte

Kalou (autor do golo) luta pela posse de bola com Maxi Pereira
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Kalou (autor do golo) luta pela posse de bola com Maxi Pereira Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters

No futebol não há uma fórmula mágica para vencer. E há jogos, como o desta terça-feira, em que a experiência de uma equipa em declínio vale mais do que a motivação e o fulgor de uma formação menos habituada a jogar os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Foi o que aconteceu na Luz, onde o Chelsea venceu o Benfica por 1-0, colocando-se em boa posição para chegar às meias-finais da prova pela sexta vez nos últimos nove anos.

O Benfica ficou em branco pela terceira vez nesta época (segundo jogo seguido) e perdeu pela primeira vez em casa nas competições europeias desde Dezembro de 2010 (1-2 com o Schalke). Este desaire deixa a equipa de Jorge Jesus em situação muito difícil, já que agora necessita de ir a Londres, na próxima quarta-feira, ganhar e marcar, pelo menos, dois golos.

O resultado, no entanto, é enganador. O Benfica merecia mais, num jogo em que se pode queixar de alguma falta de sorte e de um penálti não assinalado por mão de John Terry. Para o desenlace da partida contribuíram também as substituições efectuadas por Jorge Jesus, que quebraram o melhor período do Benfica e coincidiram com o golo do Chelsea, que decidiu o jogo.

As duas equipas entraram em campo tão apostadas em explorar as fraquezas alheias como em não serem surpreendidas por um contra-ataque do adversário. O Benfica surgiu mais cauteloso do que é habitual nos jogos em casa, colocando menos gente na frente, apesar de o desenho táctico ter sido o mesmo, com Aimar muito perto de Cardozo.

O Chelsea recorreu a uma espécie de 4x2x3x1, sempre muito preocupado em tapar os caminhos para a sua baliza, encostando, por exemplo, Kalou no lado de Maxi Pereira. Lampard, Essien e Drogba ficaram no banco, o que deu à equipa menos experiência, mas um pouco mais de frescura física. Bosingwa e Sturridge também foram suplentes, com Paulo Ferreira a jogar pela primeira vez desde 31 de Dezembro e a fazer somente o sexto jogo nesta época.

As opções dos dois treinadores resultaram inicialmente num jogo muito táctico durante a primeira parte. O Benfica foi tentando criar perigo, sem arriscar demasiado. E Cardozo quase marcava aos 19’, num lance em que fugiu a John Terry, mas rematou ao lado. Com Bruno César e Gaitán activos, a equipa de Jesus só se ressentiu um pouco do menor fulgor ofensivo de Witsel.

O Chelsea, que até chegou ao intervalo com mais posse de bola (52% contra 48%), adormeceu o jogo sempre que pôde, baixando o ritmo. A estratégia de Roberto Di Matteo ia resultando e Raúl Meireles obrigou Artur a uma boa defesa, quase em cima do intervalo (40’).

Na segunda parte, o jogo mudou de figura. O Benfica encostou o Chelsea às cordas, como costuma fazer, nos bons dias, aos adversários que visitam a Luz. O melhor período da equipa de Jesus foi traduzido numa sucessão de remates, de Cardozo (47’), a Javi García (48’), passando por um cabeceamento de Jardel para uma grande defesa de Cech (67’). Pelo meio, o árbitro (e os seus assistentes) não marcaram penálti, num lance em que John Terry jogou a bola com o braço dentro da área (60’).

Na sequência deste lance, o Chelsea aproveitou a desconcentração dos jogadores da casa e Mata atirou ao poste, numa jogada em que surgiu isolado e passou por Artur. Mas o verdadeiro ponto de viragem no jogo aconteceu pouco depois. Jorge Jesus tirou Aimar e Bruno César, lançando Matic e Rodrigo.

Estas alterações quebraram o ritmo do Benfica e desequilibraram a equipa. Uma situação que ainda foi mais agravada, porque o Chelsea chegou ao golo. A rapidez de Ramires e Torres, aliada à perda de bola de Rodrigo, à lentidão de Emerson e à inexperiência de Jardel (que até estava a fazer uma bela exibição), construíram uma jogada finalizada por Kalou, que fez apenas o seu quinto golo da temporada. Um remate que dá confiança ao envelhecido Chelsea e que torna muito mais difícil o sonho benfiquista.

POSITIVOGaitán e Bruno César

O argentino e o brasileiro foram os melhores do Benfica a atacar, num jogo em que Aimar foi outra vez o “maestro” e Witsel esteve abaixo do habitual, porque se perdeu demasiado em tarefas defensivas. Maxi Pereira foi incansável no corredor direito.


NEGATIVOSubstituições de Jesus

É certo que Aimar não costuma aguentar os 90 minutos, mas a saída do argentino debilitou o Benfica. Até porque Jesus lançou Matic e desviou Witsel para a direita, algo que bloqueou a equipa na fase em que estava melhor.


Emerson

Já ninguém tem paciência para o brasileiro na Luz e os assobios servem para intranquilizar ainda mais o lateral-esquerdo. É claramente o elo mais fraco da equipa e Ramires soube explorar muito bem esse aspecto. Emerson fica ainda ligado ao lance do golo do Chelsea.


FIGURA DO JOGORamires, o "traidor"

O médio brasileiro voltou à casa do clube em que jogou há duas épocas e foi um pesadelo para Emerson. Desde muito cedo, o médio de 25 anos mostrou que era uma das principais fontes de perigo da equipa inglesa, com as suas correrias pelo lado direito. Numa delas, o “queniano” (como era conhecido no Brasil) construiu a jogada do golo, desmarcando Torres. Foi o melhor em campo. O Benfica ficou com uma parte dos 22 milhões pagos pelo Chelsea há dois anos, mas agora sentiu o reverso do dinheiro.


Ficha de Jogo

Benfica, 0


Chelsea, 1


Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa
Assistência Cerca de 60.000


Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão a67’, Jardel, Emerson, Javi Garcia a75’ (Nolito 82’), Witsel, Gaitán, Aimar (Matic 69’), Bruno César a26’ (Rodrigo 69’) e Cardozo. Treinador Jorge Jesus


Chelsea

Petr Cech, Paulo Ferreira (Bosingwa 80’), Terry, David Luiz, Cole, Mikel, Ramires, Meireles a18’ (Lampard 68’), Mata, Torres e Kalou (Sturridge 83’). Treinador Roberto Di Matteo

Árbitro

Paolo Tagliavento, de Itália.

Amarelos

Meireles 18’, Bruno César 26’, Luisão 67’, Javi Garcia 75’.

Golos

0-1, por Kalou, aos 75’.

Notícia actualizada às 22h49