Liga dos Campeões

APOEL ainda resistiu 70 minutos, mas em Madrid vai cumprir-se calendário

O Real Madrid venceu em Nicósia por 3-0
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O Real Madrid venceu em Nicósia por 3-0 Foto: AFP

A surpreendente história do APOEL na Liga dos Campeões 2011-12 já tem epílogo marcado: 4 de Abril, no Santiago Barnabéu, em Madrid. A equipa cipriota, que disputou pela primeira vez os quartos-de-final da prova, travou o Real Madrid durante 70 minutos, mas depois os espanhóis marcaram três golos e sentenciaram a eliminatória em Nicósia.

Há duas épocas, quando o APOEL se qualificou pela primeira vez para a fase de grupos da Liga dos Campeões, os 61.435 bilhetes disponibilizados para as partidas frente ao FC Porto, Chelsea e Atlético de Madrid desapareceram em apenas 35 minutos. Apesar da participação honrosa da equipa cipriota (empates nos dois jogos frente à equipa espanhola e igualdade em Londres com os ingleses), o APOEL ficou na última posição e foi afastado da competição.

Dois anos depois, o Atlético Futebol Clube dos Gregos de Nicósia (tradução para português do acrónimo APOEL) regressou à mais importante competição de equipas do futebol europeu e, desta vez, não fez papel de figurante. Após ultrapassar de forma surpreendente a fase de grupos e o Lyon nos oitavos-de-final, os fervorosos adeptos do APOEL — Lampard confidenciou nunca ter visto um ambiente tão efusivo após os ingleses jogarem no Estádio GSP — foram premiados com a presença do Real Madrid na capital cipriota e o confronto gerou uma onda de entusiasmo sem precedentes.

A euforia em torno da partida e o prestigiante trajecto do APOEL na prova levaram José Mourinho a jogar à defesa na antevisão do jogo. O treinador do Real Madrid considerou a presença dos cipriotas nos “quartos” uma “lição para o mundo”, alertou que era preciso “respeitar” o rival e vaticinou que a eliminatória seria “tão ou mais dura do que frente ao CSKA Moscovo”, na ronda anterior.

E o discurso do português não foi bluff. Apesar de defrontar um adversário com um orçamento anual (10 milhões de euros) insuficiente para pagar os salários, no mesmo período, de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, e de ter no próximo sábado uma difícil deslocação a Pamplona, onde vai defrontar o Osasuna, Mourinho respeitou o APOEL e apostou numa frente de ataque de luxo: Cristiano Ronaldo, Özil, Benzema e Higuaín. A surpresa num “onze” com três portugueses — Coentrão, Ronaldo e Pepe — foi a titularidade de Sahin no lugar do castigado Xabi Alonso.

O APOEL lutou com as armas que tinha. Consciente da força do adversário, os cipriotas limitaram-se a defender. Com Paulo Jorge, Hélio Pinto e Nuno Morais de início, a equipa de Nicósia equilibrou nos primeiros 10 minutos, mas após o Real Madrid criar a primeira oportunidade (remate de Özil), o jogo foi de sentido único: a baliza de Chiotis.

Apesar do domínio da equipa de Mourinho (os espanhóis tinham 70% de posse de bola no final da primeira parte), os primeiros 45 minutos foram desinteressantes e, para além da oportunidade de Özil, o Real Madrid apenas numa ocasião (Benzema com a baliza aberta, aos 33’, rematou por cima) esteve perto do golo. Quanto ao APOEL, zero remates.

No segundo tempo a tendência manteve-se: Real ao ataque, APOEL à defesa. O rumo do jogo mudou, no entanto, aos 64’, quando Mourinho trocou Higuaín e Coentrão por Kaká e Marcelo. Com a entrada dos brasileiros, os espanhóis melhoraram significativamente e, aos 70’, marcaram o primeiro golo: centro de Kaká e Benzema, de cabeça, fez o 1-0.

A partir desse momento o APOEL cedeu e, com facilidade, o Real Madrid marcou mais dois golos (Kaká, aos 82’, e Benzema, aos 90’). A segunda mão em Madrid, será agora um mero formalismo.

Notícia actualizada às 22h25