PSP quer “perceber o que se passou” na agressão a jornalistas

Os jornalistas exigem um pedido de desculpas formal pelo sucedido
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Os jornalistas exigem um pedido de desculpas formal pelo sucedido Daniel Rocha
O momento em que a jornalista da AFP é agredida
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O momento em que a jornalista da AFP é agredida Foto: Hugo Correia/Reuters

O Comissário Paulo Flor disse ao PÚBLICO que a PSP já ordenou um processo de inquérito às circunstâncias em que se verificaram as agressões. Pretende-se verificar a “legalidade dos actos que as fotos demonstram”, estando já a ser analisadas detalhadamente todas as imagens relacionadas com as agressões.

Ao início, cerca de 80 jornalistas, a maioria da Lusa, estiveram concentrados em frente à sede da Direcção Nacional da PSP, no Largo da Penha de França, em Lisboa, em solidariedade com os dois repórteres fotográficos agredidos ontem à tarde.

Os jornalistas entregaram uma carta de protesto contra a actuação da polícia e exigem um pedido de desculpas formal pelo sucedido.

Dois jornalistas, um da agência Lusa e outra da Agência France Presse (AFP), ficaram feridos ontem em consequência de agressões durante uma carga policial, no Chiado, em Lisboa, quando recolhiam imagens da manifestação organizada pela Plataforma 15 de Outubro, no âmbito da greve geral convocada pela CGTP.

Em declarações ao PÚBLICO, a jornalista da Lusa Ana Leiria, uma das organizadoras da manifestação desta tarde, diz que esta concentração é uma forma de protesto “contra a tendência crescente” para agredir os jornalistas que se encontram no “legitimo exercício da sua profissão”.

José Goulão, um dos jornalistas agredido pela polícia quando fotografava a manifestação de ontem, contou ao PÚBLICO que foi agredido quando subia a rua Garrett com uma colega (Patrícia Melo Moreira) onde se encontravam as carrinhas da polícia. “Vi um rapaz ferido no chão e o cordão policial a subir, gritei ‘sou jornalista’ e fiz um gesto a pedir para passar para trás deles.” Mas, segundo afirma, foi logo a seguir agredido à bastonada na cabeça. “Caí no chão e continuaram a agredir-me, embora eu gritasse sempre: ‘sou jornalista’.” José Goulão diz que ficou cerca de meia hora no chão à espera da ambulância que o levou para o hospital de S. José, onde levou seis pontos. Esta tarde, vai juntar-se à concentração.

MAI lamenta incidentes

Em comunicado divulgado hoje, o Ministério da Administração Interna (MAI) lamenta os incidentes com jornalistas e esclarece que a Inspecção-Geral da Administração Interna já abriu um processo de averiguações. “O Ministério da Administração Interna lamenta os incidentes ontem verificados no Chiado e que envolveram jornalistas”, refere o comunicado.

A abertura do processo de averiguação aos incidentes verificar-se-à “sem prejuízo das diligências entretanto desencadeadas pela PSP sobre os mesmos factos”, refere a nota do MAI. Anuncia ainda que vai convidar o Sindicato dos Jornalistas e os directores de informação dos órgãos de comunicação social para reuniões, na próxima semana, tendo em vista “a adopção de procedimentos adequados no sentido de evitar a ocorrência futura de idênticos incidentes”.

O MAI assegura que tudo fará para conciliar a necessidade de garantir a tranquilidade e ordem públicas com o exercício do direito à informação.

Em comunicado divulgado hoje, a Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública afirma que “tem feito com a antecedência necessária diversos apelos aos órgãos de comunicação social (...) para a necessidade de [os jornalistas] se identificarem, colocando-se sempre do lado da barreira policial que os separa dos manifestantes em geral”.

“Continuamos a verificar que tal não aconteceu nas manifestações levadas a efeito no dia de hoje [quinta-feira] e lamentavelmente tivemos necessidade de usar a força pública, num contexto de arremesso de cadeiras, pedras e outros objectos contra as forças policiais, que acabaram por originar ferimentos nos nossos agentes”, lê-se no comunicado.

Notícia actualizada às 19h05