Greve de volta à NAV, após ter sido desconvocada

Controladores aéreos convocaram cinco dias de greve para Abril, ao início da manhã

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Foto: Miguel Manso

Os sindicatos que representam os trabalhadores da NAV Portugal, que assegura o controlo do espaço aéreo nacional, emitiram um pré-aviso de greve para cinco dias no mês de Abril, por duas horas em cada dia, ao início da manhã.

SINCTA, SITECSA, SITNA, SITAVA e SINTICA apresentaram um pré-aviso de greves de duas horas (7h às 9h, hora do Continente e da Madeira; das 6h às 8h nos Açores) para os dias 12, 13, 19, 20 e 26 de Abril, abrangendo, neste último dia, também os horários regulares (nas duas primeiras horas do período de trabalho), segundo um comunicado enviado à comunicação social pela Comissão de Trabalhadores da empresa.

Estas greves deverão afectar os voos durante todo o período da manhã – quer com cancelamentos, quer com atrasos após o final do período de greve.

Esta greve surge na sequência de um pré-aviso apresentado já em Fevereiro, “exigindo a definição de orientações estratégicas e de gestão que revertessem a degradação do ambiente social e laboral na empresa, bem como a alteração da absurda política económica que está a conduzir a importantes perdas para os trabalhadores, para a empresa e para o país”, segundo a Comissão de Trabalhadores.

Essa greve foi suspensa na sequência da nomeação de um novo Conselho de Administração, que “demonstrou compreender a situação” da empresa e “se comprometeu”, em concertação com os representantes dos trabalhadores, “a desenvolver as acções necessárias para encontrar soluções atempadas junto das tutelas”.

Na altura, o presidente da CT da NAV, Carlos Felizardo, explicou que a nova equipa de gestão, que terá ainda de ser formalmente nomeada pelo Governo, “concordou com os argumentos dos sindicatos e garantiu que irá apresentar propostas concretas” para resolver as questões que estiveram na base da convocação” da greve que acabou por ser desconvocada.

Na sequência dos cortes salariais decididos para os funcionários públicos e as empresas do Estado, os sindicatos criticam ao Governo não reconhecer a especificidade da empresa, que gere o tráfego aéreo que entra e sai de Portugal. Entendem que, por não depender de dinheiros públicos, a operadora de navegação aérea deveria ter sido excepcionada.

No entanto, a Comissão de Trabalhadores constatou, na semana passada, numa nova reunião, que “não terá sido dada a prioridade necessária” à resolução do problema socio-laboral da empresa”, não havendo qualquer proposta “que permita responder, de forma articulada, às questões colocadas no anterior pré-aviso da greve”, pelo que os sindicatos decidiram apresentar agora um novo pré-aviso.