Angola absorve 60% das exportação da empresa

Unicer investe 100 milhões de euros para reforçar internacionalização

António Pires de Lima, presidente da Unicer
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António Pires de Lima, presidente da Unicer Carlos Lopes

A Unicer vai investir 100 milhões de euros até 2013, dos quais 80 milhões de euros na remodelação do parque industrial de Leça do Balio, em Matosinhos, um projecto a pensar no reforço da internacionalização da empresa.

A cervejeira, que dentro de dois ou três anos espera vender mais nos mercados externos que em Portugal, pretende também criar em Matosinhos uma das melhores fábricas de cerveja da Europa, o que lhe permitirá ganhos de eficiência estimados em 12 milhões de euros por ano, adiantou hoje António Pires de Lima, presidente da empresa.

A Unicer acaba também de “ refrescar” a sua principal marca, a Super Bock, com um novo conceito de garrafa e novas campanhas publicitárias, o que represente uma investimento da ordem dos 10 milhões de euros. O futebol, onde a empresa investe oito milhões de euros, tendo assegurada já a renovação dos contratos com os Sporting Clube de Portugal e Futebol clube do Porto, continua a ser um canal privilegiado de comunicação da empresa. A este junta-se os festivais de música e as festas de Verão.

Pires de Lima destacou a importância do investimento em Portugal, que acontece num momento de crise, que se reflecte também na forte redução do consumo de cerveja, “que está a regressar a níveis de há 20 anos”.

O aumento do IVA está a penalizar o consumo de cerveja, que depois de ter caído 10% no ano passado “pode cair entre 13 e ou 15% este ano, em volume”, referiu Pires de Lima. Também pela queda do mercado interno é tão importante o investimento nos mercados externos, para onde exporta 30% do volume de negócios.

Angola absorve a maior fatia das exportações, num total de 60%. Há vários anos que a empresa portuguesa quer construir uma fábrica em Angola, juntamente com três parceiros angolanos indicados pelo Governo, que controlam 51% do capital da empresa, mas o projecto ainda não arrancou porque os investidores locais não avançaram até agora com a sua parte do investimento. Pires de Lima garante que, da parte portuguesa, o investimento está garantido.

A cervejeira tem vindo, no entanto, a apostar nas vendas para países europeus e pretende reforçar as vendas no Brasil, através de e um eventual licenciamento da marca (assegurando a produção localmente) e na América do Norte. A empresa também quer entrar na Venezuela, onde há uma presença importante de portugueses, mas admite precisar de “ajuda política” para entrar nesse mercado.