Realizador do documentário sobre Joseph Kony detido em San Diego

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O documentário de Jason Russell foi visto por cerca de 80 milhões pessoas no YouTube Brendan McDermid/Reuters

O norte-americano Jason Russell, de 33 anos e pai de duas crianças, ficou famoso por defender o seu documentário polémico "Kony 2012", sobre o líder da violenta rebelião ugandesa do Exército de Resistência do Senhor (LRA), tido como responsável pela tortura e exploração de milhares de crianças ugandesas.

Segundo o responsável da organização não governamental Invisible Children, que financiou o filme e organizou a campanha na Internet, Jason Russell foi hospitalizado por “esgotamento, desidratação e má nutrição”.

A polícia de San Diego, Califórnia, disse à AFP que na quinta-feira de manhã, foi chamada por causa de um “indivíduo que corria na rua, a gritar, e a perturbar a circulação”. “Uma pessoa disse que ele estava nu e a masturbar-se, outras que perturbava o trânsito e danificava veículos”, disse a porta-voz da polícia.

O site da NBC de San Diego noticia que Jason Russell foi detido perto da praia Pacific Beach, embriagado e com um comportamento bizarro. Andra Brown, do Departamento Policial de San Diego, disse que "ele não foi preso". "Durante a avaliação, apercebemo-nos de que ele, provavelmente, precisaria de cuidados médicos por causa das coisas que dizia." Várias pessoas tentaram acalmá-lo e quando a polícia chegou ele estava cooperante.

O responsável pela Invisible Children, Ben Keesey, disse ao site TMZ que Jason Russell “está a receber os cuidados médicos necessários e está a concentrar-se no seu restabelecimento”. Keesey acrescentou que “as últimas duas semanas foram muito difíceis para nós, especialmente para Jason, e isso terá originado o incidente” de quinta-feira.

Em menos de duas semanas, cerca de 80 milhões de pessoas viram o documentário de 30 minutos no YouTube. O vídeo, com 28 minutos, apela à mobilização mundial para deter ainda este ano Kony e o seu Exército de Libertação do Senhor (LRA), narrando os efeitos dos 25 anos em que este senhor da guerra alimentou um brutal conflito no Norte do Uganda, raptando umas estimadas 60 mil crianças: os rapazes transformados em soldados, as raparigas em escravas sexuais, executados uns e outros quando não obedeciam, muitos mutilados, com os lábios cortados.

O LRA já está desactivado e Joseph Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional.

Notícia actualizada às 13h27