Renata Gomes, 26 anos, está a desenvolver novas terapêuticas à base de nanotecnologia
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Renata Gomes, 26 anos, está a desenvolver novas terapêuticas à base de nanotecnologia

Jovem investigadora portuguesa premiada no Parlamento Britânico

Nanotecnologia experimental para tratar corações doentes valeu à cientista de 26 anos o segundo prémio do SET for Britain de biomedicina

Renata Gomes, de 26 anos, apresentou, na segunda-feira, um poster do seu projecto científico na Câmara dos Comuns, em Londres. A fazer o doutoramento na Universidade de Oxford, sob a supervisão de Lino Ferreira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, a jovem explicou a uma centena de pessoas e a um júri de cientistas e políticos a estratégia que está a desenvolver para promover, após um enfarte, a regeneração do tecido cardíaco.

A sua pesquisa acabaria por receber, entre 53 candidaturas, um Silver Certificate e 2000 libras esterlinas (2386 euros) no âmbito dos prémios Science, Engineering and Technology (SET) for Britain, organizados anualmente pela Comissão Parlamentar e Científica, que fomenta a comunicação entre cientistas e políticos.

A cientista - que nos disse ser a laureada mais jovem de sempre e a primeira a não ser só britânica - está a desenvolver novas terapêuticas à base de nanotecnologia. A ideia é introduzir pequenos fragmentos genéticos, chamados micro-ARN, nos tecidos cardíacos para aumentar a eficácia dos transplantes de células estaminais, capazes de regenerar o tecido afectado.

Os micro-ARN regulam a actividade dos genes e, como explicava Renata Gomes no seu poster, "têm começado a revelar o seu potencial terapêutico". Mas é difícil fazê-los chegar ao destino - como também é difícil avaliar os efeitos dos transplantes de células estaminais.

Por isso, decidiu fabricar nanopartículas que levam à superfície um micro-ARN que potencia a sobrevivência das células estaminais onde são inseridas e que contêm uma substância que permite visualizar essas células no organismo com ressonância magnética.

A técnica é "muito versátil": poderá vir a ser aplicada a outras doenças e utilizando só as nanoparticulas para veicular os micro-ARN. "Já temos a patente registada [ao nivel europeu]", refere.

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