População de lince-ibérico na Andaluzia passou de 94 para 312 animais em nove anos

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A Junta de Andaluzia já está a reintroduzir linces na região de Guadalmellato e Guarrizas AFP

O censo do lince-ibérico (Lynx pardinus) de 2011 registou um aumento de 13% em relação aos 275 linces registados no ano anterior e um aumento de 231% em relação aos 94 animais detectados em 2002, segundo dados citados pela agência Europa Press.

De momento existem na Andaluzia as populações de Andújar-Cardeña, Guadalmellato, Guarrizas e Doñana-Aljarafe e em todas elas o número de animais aumentou. As autoridades destacam o caso da população de Doñana-Aljarafe, onde o número de exemplares duplicou nos últimos anos, passando dos 41 linces de 2002 para 88 em 2011. Esta população “poderá estar a sair da sua crítica situação”, acreditam os especialistas, segundo os quais existe um novo núcleo populacional, na província de Sevilha, onde vivem 14 animais.

Além do número de indivíduos, as autoridades andaluzas revelam que também aumentou o número de fêmeas (em idade reprodutiva e com território), exemplares dos quais depende em grande medida o potencial reprodutor da espécie em liberdade. Em 2011 existiam 76 destas fêmeas, acima das 27 registadas em 2002. No ano passado foram detectadas 86 crias de lince em liberdade.

A Junta de Andaluzia já está a reintroduzir linces na região de Guadalmellato e Guarrizas e assinou protocolos de colaboração com 169 proprietários e sociedades de caçadores que permitem gerir os habitats em 180.840 hectares de terrenos.

O projecto Iberlince (de 1 de Setembro de 2011 a 31 de Agosto de 2016) - orçado em 34 milhões de euros e com financiamento do programa Life+ - quer aumentar o número das duas populações reprodutoras do planeta para 70 fêmeas na Serra Morena e 25 em Doñana. Além disso, o projecto, proposto pela Junta de Andaluzia, quer estabelecer quatro novas populações de lince, com cinco fêmeas cada uma, em locais onde a espécie já existiu.

“Este projecto pretende recuperar a distribuição histórica do lince-ibérico nas regiões da Andaluzia, Castela-La Mancha, Estremadura espanhola e em Portugal”, segundo o resumo do projecto. O objectivo é identificar áreas com recursos naturais suficientes para a posterior reintrodução da espécie. Portugal, através do Instituto para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), vai responsabilizar-se por acções no valor de 3,6 milhões de euros a que corresponde uma comparticipação nacional de 1,4 milhões.