Trabalhadores lamentam perda de negócio dos Estaleiros de Viana com a Douro Azul

Empresa de Viana procura uma solução para a sua viabilização
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Empresa de Viana procura uma solução para a sua viabilização Foto: Paulo Ricca

A Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo lamentou hoje o desfecho do negócio para a construção de dois navios-hotel da Douro Azul mas garante que a empresa, directamente, apenas entrou no processo a 14 de Fevereiro.

“As informações que temos é que foi a melhor proposta que nos seria possível, tendo em conta os objectivos e alterações que o armador desejava. Foi apresentada a 29 de Fevereiro, 15 depois de a empresa ter sido chamada directamente ao processo”, afirmou à Lusa António Barbosa.

Segundo o porta-voz da Comissão de Trabalhadores dos estaleiros, a empresa, até àquela data, nunca tinha sido envolvida no processo com a Douro Azul.

“Se a Douro Azul andava há cinco meses a tratar com a Empordef não sabemos. O que sabemos é que o envolvimento directo dos estaleiros só aconteceu a 14 de Fevereiro”, sustentou, lamentando o desfecho do negócio, que classificou como uma “decisão comercial”.

O vencedor do contrato para a construção dos navios “AmaVida” e “Queen Isabel”, a entregar em Fevereiro e Março de 2013, será anunciado esta sexta-feira à tarde pela Douro Azul, estando na corrida a NavalRia, de Aveiro, e o estaleiro holandês De-Hoop.

“Seria um bom negócio, mas o problema é que nós já temos contratos fechados, por exemplo para a Venezuela ou para a Marinha, aos quais não é dado seguimento. Temos trabalho contratado e não conseguimos fazer nada com esta inércia que a empresa vive”, insistiu António Barbosa.

Com a Douro Azul estava em causa um contrato global de cerca de 50 milhões de euros, envolvendo a construção de quatro navios-hotel, mas nesta altura a empresa de Viana, que procura uma solução para a sua viabilização, já está fora da corrida a estes primeiros dois.

O contrato-promessa relativo ao projecto Douro Global foi assinado entre a Douro Azul e a Empordef, holding que tutela as indústrias de Defesa, em Novembro de 2011 e ficou a aguardar aprovação dos fundos comunitários.

A Empordef explicou esta semana em comunicado que contrato “caducou naturalmente no dia 29 de Fevereiro porque não houve aprovação pelo Ministério da Economia”. A justificação foi rejeitada pelo presidente da Douro Azul, que considerou esta semana que a administração da holding “fez de tudo” para não garantir o negócio, por temer “não ter capacidade para cumprir os prazos” previstos.

“Dois dos navios podiam estar a ser construídos desde Setembro em Viana, mas a Empordef andou sempre a prorrogar os prazos. Da minha parte, estou pronto a avançar com o negócio, aliás, na sexta-feira passada a empresa já podiam ter recebido o cheque, mas estes administradores não quiseram”, afirmou Mário Ferreira.

À Lusa, fonte oficial da Empordef não quis comentar estas declarações, mas reforçou que o contrato-promessa para a construção de seis navios – incluindo dois barcos rabelos no Arsenal do Alfeite – caducou no último dia de Fevereiro.

“Não aprovado o programa, extinguia-se o contrato-promessa”, acrescentou a Empordef, sublinhando que, “não obstante”, através dos ENVC, decidiu apresentar uma nova proposta, a 29 de Fevereiro, “por ser esta uma forma de, em defesa do interesse nacional, prorrogar o vínculo entre as duas entidades”.