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Há 50 anos que o Benfica não sofria tantos golos em casa

O Benfica já soma 12 golos sofridos no Estádio da Luz para o campeonato
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O Benfica já soma 12 golos sofridos no Estádio da Luz para o campeonato Foto: Miguel Riopa/AFP

É preciso recuar 50 anos para encontrar uma época em que o Benfica tenha sofrido tantos golos em casa como na presente temporada, mas, para o adepto "encarnado" que acredite em coincidências, esta poderá ser uma notícia moralizadora. É que estes números não se viam na Luz desde 1961-62, quando a equipa sofreu o 13.º golo no velho Estádio da Luz, na 21.ª jornada, apontado justamente pelo FC Porto. O treinador era o mítico Bela Guttmann e, no final da época, a equipa conquistaria a Taça dos Campeões Europeus e a Taça de Portugal.

Ao todo, o conjunto de Jorge Jesus já sofreu em 2011-12 12 golos em casa, onde apenas o Sporting ficou em branco esta época, em 11 partidas já disputadas. Com os três golos apontados anteontem, os "dragões" aproveitaram alguma da instabilidade defensiva do adversário em Lisboa, já que, em matéria de golos sofridos, tudo corre pior na Luz. Paradoxalmente, fora de portas, o conjunto "encarnado" é, a par do Beira-Mar, a equipa menos batida, com apenas sete golos sofridos.

Perante os seus adeptos, a equipa de Jesus sofreu o dobro dos golos de FC Porto, Sp. Braga, Sporting (seis), e mais do que Marítimo, V. Guimarães, Rio Ave e até Feirense (oito), que ocupa a penúltima posição da tabela classificativa. Menos batida em Coimbra é também a Académica (9), tal como o Gil Vicente, em Barcelos (11). De referir que, com excepção dos portistas e academistas, os restantes têm menos uma partida caseira contabilizada (menos duas, nos casos dos gilistas e vila-condenses).

Os actuais números benfiquistas contrastam com a realidade da equipa nas últimas décadas, nomeadamente em comparação com os dois golos sofridos à passagem da 21.ª ronda nas temporadas de 1969-70 (a equipa era treinada por Otto Glória/José Augusto, acabando em segundo lugar do campeonato atrás do Sporting), 1985-86 (com John Mortimore, que encerrou a época também na segunda posição, atrás do FC Porto), 1988-89 (com Toni no banco a conquistar o título) e 1992-93 (Tomislav Ivic/Toni, com outro segundo lugar).

Nas poucas épocas em que o Benfica sofreu dez ou mais golos em casa até à jornada 21, só por uma vez conquistou o campeonato. Foi em 1962-63, há 49 anos (com 11 golos contabilizados). De resto, em 1965-66, ficou na segunda posição (11 golos); em 1984-85, foi terceiro (10); em 2001-02, quarto (11) e 2003-04, segundo (11).

Apesar desta contabilidade global negativa, a verdade é que os golos sofridos no Estádio da Luz não têm implicado propriamente maus resultados. Excluindo o clássico com o FC Porto, em todas as restantes partidas a equipa venceu com maior ou menor dificuldade. E, até ao jogo com os "dragões", os lisboetas não tinham sofrido mais do que um golo no seu recinto por partida.

Para compor esta estatística, o Benfica destaca-se no plano oposto, como a equipa mais concretizadora em casa, com 34 golos (uma média de 3,1 por encontro). Menos dois do que em 11 jogos caseiros na temporada de 2009-10 (a primeira de Jesus), em que haveria de conquistar o título.

Com a eliminatória frente ao Zenit, para a Liga dos Campeões, a dois dias de distância, há outro dado animador relativo a 1961-62, o ano da afirmação de Eusébio. Nessa época, o campeonato fugiu para Alvalade, mas estava conquistada a Europa.