China vai estabelecer a futura ordem financeira

Philip Coggan: Portugal não vai pagar os empréstimos ao Norte da Europa

Foto: Daniel Roland/ AFP Photo
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Foto: Daniel Roland/ AFP Photo

A Alemanha, e os países do Norte da Europa em geral, não terão de volta o dinheiro que emprestarem a Portugal e à Grécia, segundo Philip Coggan, um reputado jornalista britânico da revista Economist.

Esta ideia foi expressa num podcast na página on-line do Fundo Monetário Internacional – um dos credores destes dois países, onde já pôs cerca de 60 mil milhões de euros, o seu maior envolvimento até hoje em operações deste tipo.

Philip Coggan que tem defendido a contenção da crise da dívida soberana europeia, explica que “o negócio na Europa tem sido que os países do Norte emprestam dinheiro aos do Sul desde que os do Sul adoptem programas de austeridade”.

Na sua opinião, “o problema com este acordo é que as economias do Sul da Europa têm estado em recessão, essas recessões piorarem devido aos programas de austeridade e assim o rácio dívida/ PIB tende a subir, e não a descer. E, claro, isto faz o problema parecer ainda pior”.

“No final, os credores vão ter de pagar. Assim, os alemães e os europeus do Norte têm duas opções: podem mandar dinheiro para Grécia e Portugal, ou emprestar dinheiro à Grécia e a Portugal que não vai ser pago. De uma maneira ou de outra, não é muito diferente – não vão ter o seu dinheiro de volta”, afirma, sem explicar porque não inclui a Irlanda neste grupo.

Coggan acha que “a população dos países do Norte da Europa acabará por perceber isso” e que actualmente “estamos, numa democracia a tentar ver onde é que o pagamento vai falhar. Quanto é que os eleitores gregos podem sofrer sem se revoltar, quanto é que os eleitores alemães podem sofrer, em termos de perdoar dívidas, sem se revoltarem”.

Philip Coggan, autor de Paper Promises: Debt, Money, and the New World Order, acha também que será a China – o maior credor do planeta – a estabelecer a nova ordem financeira após esta crise, tal como os americanos fizeram no acordo de Bretton Woods e os britânicos tinham feito antes com o padrão ouro.