Futebol

Liga propõe alargamento com “liguinha” entre quatro equipas

Mário Figueiredo
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Mário Figueiredo Foto: Nelson Garrido

Alargar a I Liga de 16 para 18 clubes, encontrando as duas vagas-extra com um mini-campeonato entre os dois últimos classificados na I Liga e o 3.º e 4.º classificados da Liga de Honra.

Esta é a proposta que Mário Figueiredo, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, vai apresentar na próxima assembleia-geral do organismo, a 12 de Março.

“Vou propor alargamento, mas a decisão está nas mãos dos clubes”, disse o presidente da Liga, num encontro com jornalistas, argumentando que a realização de uma “liguilha” é a solução mais justa: “É a solução que me parece premiar o mérito desportivo.”

Negando que alguma vez tenha prometido que não haveria despromoções à II Liga, Mário Figueiredo disse que a “assembleia geral é soberana para decidir” e salientou que se os clubes decidirem simplesmente o alargamento (sem definir a forma como será feito) o que os regulamentos prevêem é que não haja descidas.

No encontro com os jornalistas, realizado nesta terça-feira no Porto, Mário Figueiredo falou ainda de direitos televisivos, numa altura em que 21 clubes decidiram centralizar os seus direitos, negociando-os de forma colectiva.

“Somos dos últimos países em que os direitos de TV não estão centralizados”, disse o presidente da Liga, revelando que encomendou um estudo sobre o assunto, que será apresentado no dia 12 de Março, no Conselho de Presidentes.

O líder da Liga destacou que o mercado televisivo “vale 200 milhões de euros e só 70 é que chegam aos clubes”, lembrando ainda que a Comissão Europeia “acabou com monopólio da Sky em Inglaterra” e que o Governo italiano obrigou à centralização de direitos.

“Infelizmente, o Governo português parece não se querer meter no assunto”, lamentou Mário Figueiredo.

O presidente da Liga alertou ainda para os problemas financeiros do futebol, salientando que desde que chegou à Liga se deparou com dois processos que podem obrigar os clubes a pagar 60 milhões de euros: “33 milhões do Totonegócio e 27 milhões do processo da Bwin”.

Sobre este último caso, Mário Figueiredo disse ter consultado advogados especialistas em direito europeu e defendeu que o monopólio da Santa Casa da Misericórdia “não cumpre os requisitos comunitários”.

Ainda hoje, o líder da Liga vai encontrar-se com o secretário de Estado Adjunto do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte, por causa da regulamentação das apostas online.

“Vamos defender que sejam aplicados os preceitos europeus”, disse Mário Figueiredo, dizendo que o “futebol não quer um tratamento favorável, mas também não quer o contrário.”

A este propósito, o presidente da Liga lembrou que o futebol pagou 100 milhões de euros em impostos no ano passado e não entende o facto de o IVA de outros espectáculos ser taxado a 13% e o do futebol a 23%.

Notícia actualizada às 12h19