Entrevista ao <i>Wall Street Journal</i>

Presidente do BCE descarta novo resgate português

Draghi não arrisca afirmar quando terminará a crise
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Draghi não arrisca afirmar quando terminará a crise Foto: Daniel Roland/AFP

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, reagiu aos receios dos mercados de que Portugal venha a pedir um novo resgate financeiro, afirmando que o país não precisa de um novo pacote de assistência.

Portugal, que muitos analistas acreditam que é o próximo na linha depois da Grécia para outro resgate, não vai precisar de ser resgatado outra vez, afirmou numa entrevista ao Wall Street Journal, da qual o jornal publicou excertos no seu site.

O jornal norte-americano avançou, em Janeiro, a dias da última cimeira europeia, haver investidores, economistas e políticos preocupados com a eventualidade de Portugal precisar de negociar um novo pacote financeiro, cenário que presidente da autoridade monetária da zona euro descarta.

Draghi vê sinais de melhoria na zona euro, sublinha que os governos europeus têm feito progressos na redução dos défices públicos e diz que não há outro caminho a não ser as reformas económicas e sociais – uma posição que ainda hoje foi reforçada pela Comissão Europeia, quando divulgou as últimas perspectivas económicas para os 27.

“Recuar nas metas orçamentais provocaria uma reacção imediata do mercado”, observa Draghi, que lidera uma das instituições da troika que acompanha os planos de ajustamento na Grécia, em Portugal e na Irlanda.

Segundo o jornal económico, Draghi sublinha que uma consolidação orçamental consegue resultados quando “os impostos são mais baixos” e são concretizados cortes na despesa pública com infra-estruturas e outros investimentos.

Na primeira entrevista desde a validação pela zona euro do segundo pacote de assistência da Grécia, de 130 mil milhões de euros, Draghi refere que o país continua a ser o maior risco da zona euro, escreve o Wall Street Journal.

“É difícil afirmar que a crise acabou”, afirma o líder do BCE, lembrando que os governos têm percorrido um caminho a favor da união orçamental – uma alusão ao pacto intergovernamental acordado em Dezembro para a zona euro e aberto aos restantes países da UE, que pressupõe regras de consolidação orçamental e de vigilância mais apertadas.