Decisão anunciada nesta segunda-feira

Depois da Barbie, Bart Simpson e família são banidos no Irão

"Os Simpsons" não faz parte das grelhas de programação iranianas, mas pode ser assistida por satélite
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"Os Simpsons" não faz parte das grelhas de programação iranianas, mas pode ser assistida por satélite Fox/Reuters

Um homem em collants é bem-vindo no Irão, desde que seja um “homem de aço” e venha de outro planeta. Um nova-iorquino mutante que suba paredes, também. Bonecos amarelos e destravados é que não. O país dos ayatollahs está a lutar contra a “intoxicação” cultural do Ocidente, a bem da moral, e decidiu banir “Os Simpsons” das suas lojas de brinquedos.

Esta é a segunda decisão do género a causar impacto internacional. A primeira aconteceu há duas semanas, quando as autoridades iranianas decidiram barrar a entrada da Barbie no país, por a famosa boneca da Mattel revelar demasiado da forma adulta feminina. Por isso e pelas roupas que ajudam a compor o alegado símbolo anti-islâmico que é a Barbie.

Os motivos que levaram o Irão a barrar os Simpsons não são tão claras. A anatomia dos bonecos inspirados pela criação televisiva de Matt Groening dificilmente poderá ser considerada próxima das formas de humanos adultos. O que se infere das poucas justificações dadas é que o problema está na série como um todo, que tem a crítica destravada como marca distintiva.

“Os bonecos dos Simpsons são mercadoria de promoção de uma série de desenhos animados, da qual alguns episódios estão mesmo banidos na Europa e na América”, disse Mohammad Hossein Farjoo, responsável pela definição de políticas do Instituto para o Desenvolvimento Intelectual das Crianças e dos Jovens Adultos, ao jornal iraniano Sharq, que a Reuters cita. “Não queremos promover estes desenhos animados através da importação dos brinquedos.”

É a moral dos jovens iranianos que está em causa e que este organismo público está decido a resguardar da “intoxicação Ocidental”. Teerão entende que os valores propagados pela família Simpson, depois da vida airada levada pela Barbie, não são os melhores para a sua juventude. Do Ocidente, as personagens ficcionais que o Irão acolhe com gosto são as que combatem o mal e defendem os pobres e os oprimidos, como o Super-Homem ou o Homem Aranha.

Este tipo de sanções a brinquedos importados não é novo no Irão. Os comerciantes do país, citados pela Reuters, asseguram que os bonecos continuam a poder ser comprados – embora seja mais difícil de os encontrar. Com a série de televisão, passa-se algo idêntico: não é exibida na televisão iraniana, mas quem no país é proprietário de antenas de satélite conseguem apanhar canais estrangeiros e assistir às desventuras dos Simpsons.