Camboja

Prisão perpétua para "Duch", o carcereiro khmer vermelho

Duch não mostrou emoção quando ouviu o veredicto
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Duch não mostrou emoção quando ouviu o veredicto Foto: Nhet Sokheng/ECCC/AFP

O tribunal especial da ONU que está a julgar os crimes cometidos pelo movimento Khmer Vermelho no Camboja rejeitou o apelo apresentado por um antigo responsável de esquadrões da morte, conhecido por "Duch", que tinha sido condenado a 35 anos de prisão em Julho de 2010. O tribunal aumentou a sua pena para prisão perpétua.

Kaing Guek Eav foi julgado e preso pela detenção, tortura e execução de milhares de pessoas na prisão de Tuol Sleng (de nome de código S-21). Pelo menos 15 mil homens, mulheres e crianças terão morrido às mãos do regime nestes “campos de extermínio” às portas de Phnom Penh.

O apelo de "Duch" teve por base a alegação de que se limitou a cumprir ordens superiores durante todos esses anos. Os juízes rejeitaram, porém, estas alegações e aumentaram a pena de 35 para prisão perpétua. Os juízes consideraram que a pena inicial não “reflectia” a “gravidade dos crimes”.

“Os crimes cometidos por Kaing Guek Eav estão indubitavelmente entre os piores alguma vez registados na História da Humanidade. Merecem a maior pena disponível”, indicou o juiz Kong Srim. Kaing Guek Eav não mostrou qualquer emoção depois de lido o veredicto.

"Duch" - o primeiro elemento sénior do movimento liderado por Pol Pot - tinha sido condenado por crimes contra a Humanidade em Julho de 2010 e tinha dado entrada com o seu apelo em Março de 2011.

Centenas de sobreviventes destes campos de extermínio reuniram-se à porta do tribunal de Phnom Penh para ouvirem o veredicto.

O caso do carcereiro "Duch" foi o primeiro a ser concluído por aquele tribunal especial criado com a ajuda da ONU para o julgamento de crimes cometidos durante os quatro anos de ditadura do Khmer Vermelho no Camboja, entre 1975 e 1979 .

O regime ditatorial tentou criar um ideal comunista forçando os residentes nas cidades a mudarem-se para o campo e a trabalharem a terra e expurgando da sociedade os intelectuais, a classe média e os alegados inimigos do Estado.

Estima-se que até dois milhões de pessoas - cerca de um terço da população - tenham sido assassinadas ou tenham morrido à fome ou de exaustão por trabalhos forçados, indica a BBC.

Em fuga desde a queda do regime comunista no Camboja, o paradeiro de "Duch" viria a ser descoberto por um jornalista britânico, acabando o ex-khmer vermelho por ser detido pouco depois pelas autoridades de Phnom Penh. Passaram, no entanto, vários anos até que fosse levado a julgamento.

Pol Pot, o líder do brutal regime, morreu em 1998 sem ter sido julgado.

Notícia actualizada às 10h07