Derrame tóxico ameaça reservas de água de milhões de pessoas na China

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Agentes policiais misturam substâncias num tanque com amostras de água do rio poluído China Daily/Reuters

As autoridades, ajudadas por 3160 agentes policiais e paramilitares, estão a libertar substâncias em seis locais do rio Longjiang, na região de Guangxi Zhuang, para neutralizar e dissolver os poluentes que se estão a espalhar nas águas, segundo a agência Xinhua. No entanto, 27 agentes policiais que ajudaram nas operações começaram a sofrer de infecções respiratórias e febre e cinco deles foram mesmo hospitalizados.

A poluição por cádmio – químico encontrado em efluentes industriais que pode causar cancro – foi detectada pela primeira vez a 15 de Janeiro perto da cidade de Hechi e as autoridades acreditam que teve origem no complexo industrial mineiro da Jinhe Mining Company, em Guangxi.

Além da libertação de substâncias nas águas, as equipas estão a erguer barreiras para tentar conter o avanço da poluição. Muitos peixes já morreram.

“Este é um momento crítico, numa altura em que a água potável a jusante está em perigo”, disse o presidente da câmara de Guangxi, He Xinxing, citado pela agência Xinhua. “Tomaremos todas as medidas possíveis e optimizaremos as nossas estratégias para baixar os níveis de concentração de cádmio”, acrescentou. De momento, sete fábricas ao longo do rio estão paradas para evitar potenciais fontes de poluição que agravem a situação.

De acordo com um gabinete de crise, criado para o efeito, há zonas do rio em que os níveis de cádmio por litro já são cinco vezes mais elevados do que os limites oficiais. O receio é que a poluição chegue ao reservatório de água de Hexi, que abastece a cidade de Liuzhou, com um milhão de habitantes e situada a mais de 130 quilómetros de distância do complexo mineiro que estará na origem do derrame. A situação já levou a uma corrida às lojas para comprar água engarrafada, segundo o jornal “The Guardian”.