Expedição a uma das últimas florestas tropicais virgens do planeta

Já conhece o sapo cowboy, o besouro cornudo ou o peixe-gato com espinhos?

O besouro cornudo é uma das 1300 espécies identificadas durante a expedição
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O besouro cornudo é uma das 1300 espécies identificadas durante a expedição Piotr Naskrecki/Conservation International

Uma expedição científica ao Suriname embrenhou-se numa das últimas florestas tropicais virgens do planeta e identificou 1300 espécies, das quais 46 ainda não constavam da lista da biodiversidade mundial.

Durante três semanas, de Agosto a Setembro de 2010, os investigadores exploraram três locais ao longo dos rios Kutari e Supaliwini, perto da localidade de Kwamalasumutu, uma zona remota no Sul do país e identificaram 1300 espécies, incluindo 46 que a Ciência não conhecia. Os resultados da expedição científica revelados nesta quinta-feira pela organização Conservation International – que celebra os seus 25 anos este mês – incluem oito peixes de água doce, um sapo arbóreo (que passa a maior parte da sua vida em árvores) e dezenas de novos insectos.

Um peixe-gato (Pseudacanthicus sp.), coberto de espinhos para se proteger das piranhas, estava prestes a ser comido como um snack por um dos guias locais quando os cientistas repararam que esta era uma espécie ainda desconhecida e o preservaram como um espécime.

Ainda nesta floresta muito pouco estudada, os investigadores encontraram o sapo cowboy (Hypsiboas sp.), que parece ter esporas nas patas, durante uma saída de campo nocturna no rio Koetari.

“A nossa equipa teve o privilégio de explorar uma das últimas áreas de natureza selvagem virgens do mundo”, disse Trond Larsen, cientista e director do programa RAP (Rapid Assessment Program) da Conservation International, com sede em Washington. Desde 1990 que este programa faz expedições de curta duração para conhecer a biodiversidade de uma área e conseguir dados que irão basear as políticas de conservação.

Voltaram a encontrar o besouro cornudo e o sapo Pac-Man

Além das 46 novas espécies, a expedição identificou 1300 já documentadas, incluindo o sapo Pac-Man (Ceratophrys cornuta), predador voraz que consegue comer presas quase do seu tamanho, incluindo aves, ratos e outros anfíbios. Na verdade, “um cientista que estudava aves com a ajuda de coleiras radiotransmissoras encontrou uma ave e respectivo dispositivo no estômago do sapo”, segundo a Conservation International.

O grande besouro cornudo (Coprophanaeus lancifer) tem o tamanho de uma tangerina e pesa mais de seis gramas. Este animal, de cor metálica e púrpura, tem um corno na cabeça que usa como arma contra outros besouros.

“Como cientista, é emocionante estudar estas florestas remotas onde nos esperam incontáveis descobertas, especialmente se acreditarmos que proteger estas paisagens é, talvez, a melhor oportunidade para manter os ecossistemas dos quais dependem os povos, nesta e em gerações futuras”, acrescentou.

Uma equipa do programa RAP vai voltar ao Suriname em Março para continuar os trabalhos de exploração científica.

Actualmente, há 1,9 milhões de espécies descritas pela ciência - ainda que o número real da biodiversidade do planeta seja muito maior -, com a descoberta, em média, de 50 novas espécies de animais, plantas e outros seres vivos todos os dias, segundo uma contabilidade feita pelo Instituto Internacional para a Exploração de Espécies, da Universidade do Arizona, revelada a 19 de Janeiro. Em dez anos (2000-2009), foram descritas 176.311 espécies novas para a ciência. Metade (88.598) eram insectos. A seguir vêm as plantas (13% ou 23.604 espécies) e aracnídeos (7% ou 12.751 espécies), como aranhas e escorpiões.