Indicadores do Banco de Portugal

Actividade económica e consumo com queda recorde no mês do Natal

Consumo privado caiu 45% em Dezembro
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Consumo privado caiu 45% em Dezembro Enric Vives-Rubio

No último mês do ano passado, a actividade económica e o consumo privado apresentaram a maior queda de sempre, antecipando um 2012 ainda mais difícil.

De acordo com os Indicadores de Conjuntura hoje divulgados pelo Banco de Portugal, o indicador coincidente da actividade económica caiu 3,4% em termos homólogos em Dezembro, a maior queda desde que a instituição tem registo dos dados, ou seja, desde Janeiro de 1978.

No indicador coincidente do consumo privado, o recuo é ainda maior – menos 4,5% em relação a Dezembro de 2010 – e é também recorde histórico, o que mostra que os portugueses refrearam fortemente os seus gastos no mês do Natal.

Os dados do Banco de Portugal mostram que o que indicador que mede a actividade económica está em queda desde Julho de 2010, tendo começado a apresentar uma variação negativa em Março do ano passado. A contribuir para isso está a quebra acentuada do consumo privado, que tem vindo a recuar desde Junho de 2010 e entrou em terreno negativo em Dezembro do mesmo ano.

Na fase final do ano passado, os indicadores económicos deterioram-se significativamente, devido, não só, ao agravamento da crise da dívida europeia, mas também à implementação de algumas medidas de austeridade, como o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal e a antecipação do aumento do IVA sobre a electricidade e o gás. Este ano, com cortes salariais para a função pública e agravamento de impostos para a população em geral, a retracção do consumo deverá intensificar-se, empurrando a economia para a recessão.

Na proposta do Orçamento do Estado de 2012, o Governo está a apontar para uma quebra de 4,8% no consumo privado e para uma contracção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8%, embora já tenha admitido que será pior. As últimas previsões do Banco de Portugal apontam para uma descida substancialmente maior nos gastos das famílias (-6%) e para uma quebra económica de 3,1%. Contudo, admitem ainda que há uma probabilidade de 55% de a recessão ser maior do que o projectado.