Prejuízos de três milhões de euros põem em risco 500 postos de trabalho na Tegael

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Em 2010, a empresa de telecomunicações e energia registou prejuízos de praticamente três milhões de euros e as vendas caíram 20%. A decisão foi justificada com a "actual crise económica e financeira" e estará a tentar-se encontrar uma solução que minimize os impactos do encerramento.

De acordo com um relatório a que o PÚBLICO teve acesso, o negócio sofreu uma forte deterioração em 2010 - ano em que registou prejuízos de praticamente três milhões de euros. Um ano antes, a Tegael apresentava lucros de 448 mil euros. Esta viragem é explicada por uma quebra abrupta nas vendas, que passaram de 28,6 para 22,8 milhões de euros. De acordo com as contas da empresa, o passivo situava-se em 30,6 milhões em 2010.

No comunicado que enviou ontem às redacções, a Tegael não escondeu que se encontra numa situação difícil, explicando a decisão de encerrar as portas com "a actual crise económica e financeira" e as suas repercussões no sector onde opera. A empresa dizia mesmo que o negócio das infra-estruturas de energia e telecomunicações "vem apresentando uma contracção acentuada (...), não se prevendo uma inflexão da mesma, traduzindo-se assim numa situação que se antevê de média/longa duração".

De acordo com o relatório, a empresa empregava em 2010 mais de 500 trabalhadores, tratando-se do maior empregador do concelho de Coruche. Nesse ano, os gastos com pessoal alcançaram 11,1 milhões de euros. Teme-se, agora, que estes postos de trabalho possam estar em risco, o que será "um prejuízo brutal", disse ontem à Lusa o presidente da autarquia, Dionísio Mendes.

A Tegael já criou uma "comissão de cessação de actividade", para a qual deverá ser convidado um representante dos trabalhadores. No comunicado enviado ontem, assegurou "o total cumprimento das responsabilidades assumidas", nomeadamente para com os trabalhadores.

De acordo com Dionísio Mendes, a decisão de encerramento estará relacionada com o facto de a Caixa Geral de Depósitos se ter negado a conceder um empréstimo de 500 mil euros à empresa para cobrir as despesas de um despedimento colectivo de 70 pessoas que deveria ter ocorrido em Novembro. O autarca considerou tratar-se de "uma atitude criminosa" por parte do banco estatal.