Entrevista à TVI

“A economia portuguesa não está toda em recessão”, diz Santos Pereira

Ministro da Economia diz que o Governo sempre esteve disponível para ouvir alternativas à meia hora extra no privado
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Ministro da Economia diz que o Governo sempre esteve disponível para ouvir alternativas à meia hora extra no privado Foto: Daniel Rocha

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, reconheceu que 2012 “vai ser um ano muito difícil”, mas justificou a necessidade de medidas de austeridade para o país equilibrar as contas públicas e ganhar competitividade internacional. Mas, apesar da previsão de contracção económica para este ano, “a economia portuguesa não está toda em recessão”, lembrou.

Santos Pereira, que falava nesta terça-feira em entrevista à TVI, recordou que o consumo e o investimento público estão a cair, mas deu o exemplo do crescimento das exportações nacionais para sustentar que nem todos os indicadores económicos são negativos.

O ministro – que em Novembro disse que 2012 marcaria o início do fim da crise e se viu, depois, obrigado a esclarecer não ter decretado o fim da crise – afirmou que a estratégia económica do Governo passa por “reformar o que está mal na economia portuguesa”. Para travar agravamento da situação económica, Portugal deve aplicar “um programa de reformas estruturais” e não “distribuir subsídios aos interesses instalados”.

Questionado sobre o acordo fechado na concertação social na última madrugada, Santos Pereira considerou que a "substância” das medidas vertidas no documento assinado com os parceiros sociais (excepto a CGTP) é a criação de emprego. Confrontado com o facto de o acordo facilitar os despedimentos, reconheceu: “As indeminizações vão ser mais baratas”.

Santos Pereira explicou ainda o porquê de o Governo ter abdicado da proposta da meia hora extra de trabalho diário no sector privado. “Como não havia nenhuma margem de manobra” para baixar a Taxa Social Única (uma medida defendida por Santos Pereira), o executivo avançou com a proposta da meia hora, mas frisando que “estaria disponível para ouvir alternativas”, explicou. “O acordo é a prova de que os portugueses, em momentos de grande crise, se sabem unir para ultrapassar as dificuldades”.

O ministro da Economia diz não ter dúvidas de que o acordo tornará as empresas portuguesas mais competitivas. Mas, apesar de questionado, não respondeu sobre quando espera que as medidas se traduzam em resultados concretos com impacto na economia nacional.

Santos Pereira manteve a estimativa do Governo de uma taxa de desemprego, este ano, de 13,4%, mas não excluiu que a perda de empregos possa ser maior. “Mantemos a previsão”, mas “tudo depende da evolução da economia internacional”.