Análise de Bruno Prata

Sporting ganhou em vontade e risco, FC Porto foi mais equipa

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Foto: Rafael Marchante/Reuters

1. Espectáculo apenas sofrível, mesmo que jogado quase sempre com ritmo interessante e, por vezes, até frenético. O Sporting ganhou na vontade e no risco, mas o FC Porto foi quase sempre mais equipa, até pela matreirice evidente da sua estratégia. Em vez da posse de bola tantas vezes elogiada por Vítor Pereira, o técnico portista quase surpreendia o Sporting com o jogo directo e as transições rápidas. Foi um jogo em que os destaques principais vão para os guarda-redes.

2. A distribuição das oportunidades foi repartida, mas a melhor foi claramente desperdiçada pelo Sporting, sendo difícil perceber como é que Wolfswinkel e Izmailov não aproveitaram a assistência de Matías Fernández. O holandês tem tanto de avançado prometedor como de imberbe nalgumas situações. Dentro de alguns anos será bem mais eficaz.

3.A aposta de Domingos no jovem brasileiro Renato Neto pode ser entendida segundo vários prismas. Desde logo, pelo efeito surpresa. Depois, porque este médio box-to-box descoberto pelos olheiros do Benfica (reprovou na fase de experiência na Luz, antes de ter mais sorte em Alvalade) tem uma característica importante (para além da qualidade que há ano e meio vinha patenteando no futebol belga): mede 1,88m e tem uma estampa física que compensa a ausência de Rinaudo. A terceira explicação está também relacionada com a lesão do argentino, porque não há mais nenhuma opção com credibilidade para a posição 6 (Carriço está lesionado e Domingos não confia ainda em André Santos) e porque recuar Elias ou Schaars iria atrapalhar ainda mais as rotinas já criadas.

4. Renato Neto fez uma primeira parte sem grandes exuberâncias, mas honesta, não podendo ser responsabilizado pelas dificuldades vividas nesse período pelo Sporting, que até entrou a tentar impor uma atitude mandona e dominadora. O problema é que queria fazer tudo muito depressa e o resultado foi trapalhão. Mais matreiro, o FC Porto aceitou ter menos bola (o Sporting terminou o primeiro tempo com 53%), mas era mais perigoso. Conseguia-o à custa de surpreender o Sporting com um jogo mais directo, à procura das diagonais, principalmente de Hulk, que criava pânico na direita.

5. Distribuído no habitual 4x3x3, mas com o triângulo invertido (Moutinho ao lado de Fernando e Belluschi mais livre no apoio ao ataque) quando perdia a bola, o FC Porto teve então o mérito de condicionar os alas do Sporting, principalmente Capel, que não se viu no primeiro tempo. O FC Porto mostrou ainda mestria na marcação dos cantos, com opções variadas e capazes de criar pânico à defesa leonina.

6. A partir do 22 minutos, o Sporting melhorou bastante. Continuou a faltar um pouco mais de Elias e de Schaars, mas houve outro acerto no controlo das transições do adversário, apesar de Hulk continuar a ser capaz de criar o pânico sozinho. O FC Porto terminou o primeiro tempo com mais remates (9-6) e um canto a menos (3-4). Destaque para o baixo número de faltas: sete para o Sporting, cinco para o FC Porto.

7. Na hora dos jogos nos bancos saltou à vista que o Sporting tem agora, ao contrário de anos recentes, uma gama de alternativas credíveis com as recuperações dos lesionados. E também que Domingos soube guardar os ainda naturalmente limitados Izmailov e Matías Fernández para a altura em que o jogo parecia ir decidir-se. De resto, a troca de Capel por Evaldo (avançou Insúa) já começa a ser habitual e neste jogo foi ainda mais razoável.

8. A derrota deixava o Sporting fora da corida ao título. O empate acaba por ter praticamente o mesmo resultado. Recuperar 14 pontos (se o Benfica bater o Leiria neste domingo) para dois rivais é uma tarefa hercúlea.

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