“Apagão” no litoral é a 12 de Janeiro

Queixas sobre televisão digital terrestre subiram 63% segundo a DECO

"Apagão" do sinal analógico vai ser feito em três fases em 2012
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"Apagão" do sinal analógico vai ser feito em três fases em 2012 Ricardo Silva/Arquivo

A DECO revelou hoje que o número de queixas relacionadas com a Televisão Digital Terrestre (TDT) aumentou 63% de Outubro para Novembro, uma subida atribuída pela associação de defesa dos consumidores a um processo “mal conduzido” pela Anacom. As críticas geraram a reacção da Autoridade Nacional de Comunicações, que rejeita a acusação e diz não ter sido informada deste aumento.

Tito Rodrigues, jurista da DECO, adiantou hoje aos microfones da TSF que o número de queixas por causa da TDT – que terá a primeira fase de implementação na franja litoral a 12 de Janeiro – tem aumentado e que é “expectável que nos próximos dias” continue a aumentar com a aproximação do “apagão” analógico da próxima semana. As queixas, que não quantificou, prendem-se na sua maioria com “questões práticas e técnicas”.

Para o jurista da DECO, que considerou as campanhas de divulgação da TDT “tardias” e ineficazes, a Anacom “tem de dar garantia de aceitar que este processo foi mal conduzido”.

Reagindo a estas declarações, a autoridade que regula as comunicações electrónicas veio mais tarde rejeitar os números apresentados pela DECO. À mesma rádio, o administrador da Anacom com o pelouro da TDT, Eduardo Cardadeiro, disse desconhecer o aumento de queixas referido pela DECO e lamentou que a autoridade não tenha disso sido informada.

Eduardo Cardadeiro disse não compreender que a DECO refira haver três quartos da população que não está preparada para continuar a ver televisão com o fim do sinal analógico, quando os números da Anacom dizem que “cerca de 70% das famílias têm televisão por subscrição e não são de todo afectadas”. E acrescentou: “No início de Dezembro, metade das famílias que precisam de se adaptar já estava adaptada”.

O administrador da Anacom considerou mesmo as declarações do jurista “absolutamente irresponsáveis”, dizendo ser preciso “dar informação correcta e objectiva a todos os cidadãos para que se faça a migração com a menor perturbação possível”.

À margem destas declarações, o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, pronunciou-se sobre a implementação da TDT, considerando que o processo “não podia ser tão simplista”. Citado pela agência Lusa, Ruas mostrou-se preocupado com os “esforços financeiros com algum significado” que alguns portugueses estão a ser obrigados a fazer para poderem passar para o digital. E alertou para o facto de haver locais com pouca cobertura de TDT.

A implementação da TDT vai ser feito em três fases, com o “apagão” progressivo do sinal analógico. O primeiro acontece já na próxima semana na zona litoral do Continente, a segunda a 22 de Março nos Açores e na Madeira, e a terceira a 26 de Abril, no restante território continental.