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Olive conseguiu a proeza de juntar, no mesmo set, Gena Rowlands e um Nokia N8 Golnaz Shahmirzadi
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Olive conseguiu a proeza de juntar, no mesmo set, Gena Rowlands e um Nokia N8 Golnaz Shahmirzadi

“Olive”, a primeira longa-metragem filmada por telemóvel

Longa-metragem filmada com um Nokia N8 chega esta sexta-feira ao grande ecrã em Los Angeles. Ainda vai a tempo dos Óscares

Hooman Khalili é um norte-americano com raízes iranianas. Conhecido como uma figura da rádio de San Francisco, onde, entre outras coisas, avalia filmes, ficou ainda mais “cinéfilo” quando, em 2006, emprestou a voz ao filme de animação da Pixar, “Cars”. Em 2008, teve uma breve actuação em “Cloverfield”, mas é em 2011 que chega mais longe e senta-se na cadeira de realizador, em “Olive”. E, diga-se, a câmara de filmar saiu do seu bolso.

Não se trata de uma metáfora para explicar que foi Khalili que pagou a câmara usada no filme. Neste caso, significa que a câmara que filmou “Olive”, de tão pequena que é, cabe facilmente no bolso de qualquer pessoa. Em suma, a câmara do Nokia N8 (com uma objectiva Carl Zeiss) foi a única utilizada para capturar a longa-metragem de 90 minutos e torná-la, assim, na primeira produzida com um telemóvel.

A ideia já tinha surgido na cabeça de Hooman Khalili no início de 2010, mas só depois de estudada bem a questão e de reunidos os elementos ideais para o realizador – onde se inclui a participação, no filme, da célebre actriz Gena Rowlands – é que se avançou para a fase de produção, ou seja, Abril de 2011.

A rodagem da película (ou melhor, do ficheiro – no caso do Nokia N8, em formato H.264 ou MPEG-4) teve uma duração de cinco semanas, e a edição da mesma, nove dias. Todos estes prazos supersónicos permitiram a “Olive” estar pronto antes do fim de 2011, ou seja, ainda a tempo de figurar entre os candidatos às nomeações para os Óscares, a realizarem-se no início de 2012.

Olá Óscares…

No entanto, essa condição só será alcançada a partir de 16 de Dezembro, primeiro dia de uma semana inteira em que o filme será exibido pela primeira vez num cinema. Em específico, num cinema de Los Angeles (o Laemmle's Fallbrook 7), já que uma das condições da Academia para que as produções sejam candidatas às nomeações é de que todas elas sejam exibidas, num período mínimo de sete dias consecutivos, no condado de Los Angeles.

Trata-se de um grande feito para um filme realizado com menos de 380 mil euros e um “smartphone” que, por cá, livre de operadora móvel, custa cerca de 350 euros. Para tudo isto, Khalili teve o financiamento de Chris Kelly, ex-administrador de privacidade do Facebook. Contudo, ninguém pense que é assim tão fácil filmar uma longa-metragem.

...adeus foco e zoom automáticos

A equipa de “Olive” ainda teve de dar alguns ajustes na câmara de 12 megapixel do N8. “A câmara pensa que sabe o que é que tu queres focar, mas não sabe”, disse Hooman Khalili ao Los Angeles Times. Para resolver o problema, piratearam o telemóvel e tiraram-lhe as funcionalidades de foco e zoom automáticos.

O outro desafio foi conseguir acoplar a objectiva do N8 a uma lente de 35mm. Solução? Fita adesiva. Já para a sequência aérea filmada em “Olive”, a via utilizada foi acoplar o aparelho a um helicóptero de controlo-remoto. Bem, talvez tenha sido (ou não) por causa de todos estes riscos que a Nokia não aceitou financiar o filme…