Evocado risco de depressão idêntica à dos anos 30

Crise mundial não deixa nenhuma economia a salvo, avisa Christine Lagarde

Lagarde reconhece que as perspectivas económicas mundiais não são “particularmente animadoras”
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Lagarde reconhece que as perspectivas económicas mundiais não são “particularmente animadoras” Foto: François Lenoir/Reuters

As perspectivas económicas mundiais não são animadoras e, com a intensificação da crise, nenhum país está a salvo de riscos, avisou hoje a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Lagarde disse também que estamos a enfrentar a perspectiva de “retracção económica, aumento do proteccionismo, isolamento e… o que aconteceu nos anos 30 [a Grande Depressão económica]”.

Os esforços para superar as dificuldades devem começar na zona euro, mas cabe a todas as economias agir neste momento, observou. Nem as economias desenvolvidas, nem os mercados emergentes, nem as economias com um crescimento mais acelerado estão imunes à crise, referiu Lagarde numa conferência em Washington.

Para a líder do FMI, combater a crise “vai exigir esforços” que deverão começar “no coração da crise” – a Europa – e, em particular os países da zona euro. Mas, advertiu, “esta não é uma crise que vai ser resolvida [apenas] por um grupo de países”.

“Os problemas com os quais estamos confrontados hoje não são um motivo de inquietude unicamente para a zona euro, unicamente para a União Europeia, unicamente para os países desenvolvidos. É um motivo de inquietude para todas as economias”, reforçou.

Lagarde frisou que os países da moeda única constituem uma “união monetária” que “não foi completada adequadamente” por uma união económica e orçamental. Mas, lembrou, esse processo está em construção. Uma referência ao pacto intergovernamental acordado na última cimeira europeia (onde esteve presente) que prevê regras orçamentais mais apertadas para os países da moeda única e, para já, os seis da União que aderiram ao compromisso.

Lagarde reconheceu que as perspectivas económicas mundiais não são “particularmente animadoras”, antecipando uma possível revisão em baixa das previsões económicas do FMI para breve, já que instituição vai no final de Janeiro actualizar as estimativas.

Hoje, o Bank of America Merrill Lynch lembrou que Portugal e outros países da periferia do euro estão a reagir melhor do que a Grécia à crise da dívida europeia. Mas não escondeu que a falta de perspectivas de crescimento económico é preocupante.

A nível global, a previsão é de 3,5% de crescimento, mas de apenas 1% se a contracção europeia for pior. A zona euro vai sofrer, segundo a estimativa do Bank of America Merrill Lynch, uma recessão de 0,6% ou, no pior cenário, de 2,5%.

Em declarações à margem da apresentação, em Nova Iorque, das previsões do gigante financeiro norte-americano para 2012, o co-chefe da equipa de pesquisa de mercados, Ethan Harris, afirmou que, para Portugal, “a questão é a falta de crescimento”, cita a agência Lusa.

Notícia actualizada às 8h08 de 16/12/2011:

Acrescentadas declarações de Lagarde sobre as semelhanças com a crise de 1930.