Cartas à Directora

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Trabalhar mais para ganhar menos

O Governo aprovou legislação que permite aos empregadores aumentarem em meia hora o período normal de trabalho diário.

O argumento de "aumento a competitividade" é, "concertadamente", contestado pelos sindicatos e representantes patronais.

No contexto europeu, esta medida é iníqua. Em Portugal, já se pratica uma das maiores durações do tempo de trabalho.

Se praticada pela generalidade das empresas, esta medida induzirá desemprego, visto que, ainda que contenha limitações ao despedimento de trabalhadores, vai, pelo menos, fazer dispensar a admissão de muitos outros.

Isto levará ao agravamento da sobre-intensificação do trabalho em muitas empresas "reestruturadas" ou a "reestruturar" em que, sendo dispensados trabalhadores, o trabalho, esse, ficou lá todo mas a ser realizado por menos. Com maior ritmo e penosidade.

Há outras vertentes humanas, sociais e económicas, designadamente, o agravamento da sinistralidade e morbilidade profissional (mais cansaço, menos atenção, mais risco), as implicações familiares e sociais (natalidade, saúde pública, educação, participação cívica, conflitualidade, etc.).

O ministro da Economia (e não sei mais de quê...) disse que esta medida "é uma lufada de ar fresco". Deve ser da aproximação do Inverno, pois que o que ela constitui é um clamoroso retrocesso civilizacional, humano, social e, até, económico. E, necessariamente, político.

De algo não restam dúvidas. O Governo está a seguir a sua (única) "política": empobrecimento das pessoas. Não só aumentando-lhes os impostos e retirando-lhes os direitos sociais mas, mais: às que já deixaram de trabalhar, através do "corte" dos apoios sociais e pensões; às que trabalham, promovendo-lhes a intensificação do trabalho em ritmo e duração e, assim, objectivamente, reduzindo-lhes (mais) os salários.

Na "rumo" (?) "político" do Governo, tem lógica: uma das formas mais perversas de empobrecer é trabalhar mais para ganhar menos.

João Fraga de Oliveira,

Santa Cruz da Trapa

Portagens: pagamento sim, roubo não!

Em primeiro lugar, gostaria de saber (já que somos tão prejudicados por imposição do cumprimento de normas europeias) porque os veículos ligeiros são divididos em classes 1 e 2, quando, por essa Europa tal não acontece.

Em segundo lugar, os valores. Como se explica tal exorbitância? Para onde vai todo esse dinheiro?

Saberá o comum dos cidadãos que por 5 euros (cinco) pode viajar durante toda uma semana em todas as auto-estradas na Eslováquia? Mas isso é num país do terceiro mundo, comentarão alguns ignorantes... A esses eu pergunto: a Áustria também é terceiro mundo? É que eu lá paguei 7 euros (sete) para andar livremente durante 10 dias... e com uma viatura aqui classificada com classe 2. No mesmo país, o direito a andar livremente por todas as auto-estradas, durante um ano, custa 78 euros! (Não, não falta qualquer zero; são setenta e oito euros.)

Por que tenho de pagar 10 euros por uma simples viagem de 80 km, entre Alverca e a saída para a A23?

Não seria de esperar que aqueles mais de 200 a quem nós pagamos milionariamente para estar sentados no Parlamento, se dessem ao trabalho de saber quanto se gasta na instalação de portagens, pagamento a portageiros e identificadores? É que por lá é tudo mais simples: basta um simples selo comprado em qualquer estação de combustível!...

João Correia Pinto,

São Domingos de Rana