Hortelões notificados para abandonar terrenos em Sintra

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Autarquia prevê que em meados de 2016 já poderão ser colhidos vários produtos Adriano Miranda

Uma das hortas é mantida por habitantes do bairro "há quase 30 anos" e a outra, segundo explica Ricardo Canelas, um dos mentores do projecto, por um grupo de jovens que ali se instalou em 2008. Numa carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Sintra, os hortelões lembram que "já por várias ocasiões as autoridades vieram destruir as hortas, em todas elas para deixar o terreno num estado abandonado e lamentável".

Desta vez a autarquia justificou o despejo com a informação que fez chegar aos hortelões, dizendo que aqueles terrenos se destinam à "construção de equipamentos sociais, culturais, desportivos, educativos ou de serviços públicos". A presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, explica que os terrenos se destinam à nova sede da junta, a um centro comunitário e a um campo de desportos radicais, mas garante que "infelizmente não vai começar nada" num futuro próximo. Assim sendo a autarca não vê qualquer razão para se acabar com as hortas. "É preferível ter ali um terreno baldio com lixo e entulho de obras?", pergunta a eleita do PS.

Fátima Campos não percebe por que motivo a câmara não deixa as pessoas sossegadas, sublinhando que os espaços de cultivo são importantes para a subsistência de alguns dos habitantes do Bairro 1º de Maio. "Vou bater o pé e opor-me a isto. Já escrevi ao presidente e aos vereadores a apelar ao bom senso do executivo", acrescenta.

Na carta aberta dirigida ao presidente do município, Fernando Seara (PSD), os hortelões lamentam "a incoerência da câmara municipal", que "alega interessar-se pelas hortas urbanas e anuncia até estar a desenvolver um projecto de hortas comunitárias em zonas urbanas do concelho, e depois mostra desprezo total por um projecto já em curso".

Nessa missiva é também feito o pedido à autarquia para que no dia em que começarem as obras nos terrenos junto ao Bairro 1º de Maio seja disponibilizado a quem hoje cultiva a terra "um outro terreno devoluto, dos vários existentes nas imediações". Apesar do contacto, não foi possível obter esclarecimentos do gabinete de imprensa da câmara.

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