Alunos de Ciências Sociais mais viciados no jogo online do que os de Tecnologia

Inquiridos preferem "poker online", seguido das apostas desportivas e de corridas e, por fim, jogos de casino virtuais

T.R.G./Flickr
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Estudo inquiriu 1422 alunos de duas universidades de Lisboa sobre o consumo de jogos online John Seb/Flickr
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Estudo inquiriu 1422 alunos de duas universidades de Lisboa sobre o consumo de jogos online John Seb/Flickr
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Diria o senso comum que quem contacta mais com computadores na sua área de estudo teria também mais probabilidades de desenvolver problemas associados ao jogo virtual. Mas um estudo que questionou 1422 universitários conclui que é nos estudantes de Ciências Sociais, e não nos das áreas Tecnológicas, que há mais problemas de dependência com jogo online a dinheiro. Mais de metade dos inquiridos do primeiro grupo admite que a prática interfere com os seus padrões de sono e alimentação.

Há estudos internacionais que dizem que quem tem mais conhecimentos de Matemática, incluindo cálculo de probabilidades, corre menos risco de ficar dependente do jogo, refere o investigador do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica de Lisboa, Henrique Lopes, que em 2009 apresentou um estudo sobre a dependência do jogo em Portugal.

"Há jogos em que a probabilidade de sair alguma coisa é tão remota como a de ter um tio desconhecido que nos deixa uma herança", refere Humberto Lopes. "Se todas as pessoas soubessem Matemática, haveria menos pessoas a jogar".

Hipótese confirmada em dissertação de mestrado

A tese de mestrado de Rui Magalhães parece confirmar esta teoria. O investigador – que defendeu em 2011 o seu trabalho no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa – conclui, a partir de uma amostra de alunos de duas universidades de Lisboa, que 58,3% dos estudantes de Ciências Sociais têm comportamentos que indiciam problemas relacionados com o jogo online a dinheiro, em contraste com os 35,7% da área das Ciências Tecnológicas.

Quando questionados sobre se os seus hábitos de jogo interferem com os seus padrões de sono e de alimentação, cerca de um terço dos de Ciências Sociais admite que sim, face a apenas 10% dos universitários de Tecnologia.

Henrique Lopes, que foi orientador da tese, nota que no Canadá introduziram nos currículos escolares dos primeiros anos de escolaridade questões de literacia Matemática como forma de prevenção da dependência do jogo. "Os miúdos aprendem probabilidades com bingos e dominós. É na fase entre a escola primária e o 9º ano que é mais fácil prevenir".

No geral, Rui Magalhães encontrou uma taxa de prevalência de jogo online a dinheiro de 1,5% a 5,5%, ou seja, esta é a percentagem de alunos que admitem ter jogado no último mês. Quando se passa para o jogo como um problema, haverá 1,5% em risco de ficarem dependentes e 0,7% que já entram na categoria de jogadores patológicos.

O investigador explica ainda que estes números estão em linha com prevalências encontradas em estudos similares de outros países, que oscilam entre o 1% de um estudo norte-americano e os 7% identificados no Reino Unido.

Os jogos preferidos da população estudada são o "poker online", seguido das apostas desportivas e de corridas, e, por fim, dos jogos de casino virtuais. Feitas as contas, dizem gastar entre cinco aos 20 euros mensais, usando como meio de pagamento mais frequente o multibanco na Internet (Mbnet).

Nos universitários de Ciências Sociais há 25% que admitem ter migrado dos casinos tradicionais para a Internet. Os estudantes inquiridos das duas áreas de estudo admitem que no jogo online, em contraste com os jogos tradicionais offline, existe maior probabilidade de desenvolverem problemas de dependência.

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