Perfil de Carlos Marta

De uma noite memorável em Alvalade à candidatura à FPF

Carlos Marta
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Carlos Marta Foto: Rui Soares

Noite de 20 de Janeiro de 1981. Em Alvalade, o Sporting escandalizava os seus adeptos com uma inesperada derrota frente ao Académico de Viseu. Um golo solitário do médio criativo Águas, aos 75’, valeria os festejos da equipa beirã e pontos fundamentais para a sua permanência na I Divisão no final da temporada. Anos mais tarde, o jogador de futebol Águas daria lugar ao dirigente desportivo e político Carlos Marta.

Rezava assim a crónica do jornal A Bola: “No topo desta inesperada vitória (possível pelo mérito próprio e pelo ‘desastre’ alheio), que poderá dar ‘asas’ para a equipa fugir à zona de despromoção, estiveram o médio Águas, cujo dinamismo e capacidade técnica contribuíram em boa parte para o ‘naufrágio’ do ‘miolo’ sportinguista (e Águas terminou em beleza, marcando o golo!).”

Depois da grande festa no relvado, já na zona de acesso aos balneários, Águas (alcunha que ganhou em homenagem à antiga glória benfiquista José Águas) era o alvo de todos os repórteres. Entre eles estava um jovem Rui Santos (actualmente conhecido comentador desportivo da SIC). “Nessa altura, fazia reportagens de cabina e esse foi o meu primeiro ano como redactor no jornal A Bola”, recordou ao PÚBLICO. Não guardou particular memória desta partida concreta, mas não esqueceu o médio-direito beirão: “Tinha boa técnica, muito disciplinado tacticamente. Era o chamado jogador ‘à portuguesa’ da década de 1980: médio criativo e com bons pés.”

Mais recordações tem Augusto Inácio, um dos protagonistas desse encontro em Alvalade, com a missão de marcar Águas. “Tenho a certeza que lhe dei umas grandes ‘porradas’ [uma delas originaria o livre que acabou no golo viseense]”, garantiu também ao PÚBLICO o treinador, que integra a lista de Marta para a Federação Portuguesa de Futebol (responsável pelas selecções jovens): “Ele [Águas] era um jogador muito elegante, tecnicamente bom e com habilidade, que marcava a diferença na sua equipa. Optou por enveredar pelo lado académico, não se dedicando, a tempo inteiro, ao futebol profissional, o que o impediu de ir mais longe na modalidade.”

No final da época 1980-81, Águas, que mantinha no Académico de Viseu o pouco habitual estatuto de trabalhador-estudante (tirava o curso de Educação Física, em Lisboa), foi considerado o melhor “ponta-direita” do campeonato e recebeu um convite do Sporting, mas respeitou o compromisso que mantinha com a equipa beirã. Os estudos vão desviá-lo da actividade profissional e o golo em Alvalade acabaria mesmo por ser o ponto mais alto da sua carreira de futebolista, que o levou a percorrer todas as categorias da modalidade em Portugal.

Idade

54 anos

Formação

licenciado em Educação Física pela Universidade Técnica de Lisboa (especialização em Futebol).


Cargos anteriores

director-geral dos Desportos da Câmara Municipal de Viseu; presidente da Assembleia Geral do Sindicato dos Jogadores; presidente da Associação de Futebol de Viseu; deputado da Assembleia da República (1991-2001, tendo presidido à Comissão Parlamentar de Fiscalização do Euro 2004); presidente do Conselho Nacional do Desporto; presidente da Câmara Municipal de Tondela.