Maquinistas da CP vão estar em greve no Natal e Ano Novo

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Greve agendada dura 40 dias, entre paralisações parciais e totais Foto: Enric Vives-Rubio

A greve vai durar 40 dias – entre 23 de Dezembro e 31 de Janeiro –, com os maquinistas da CP a ameaçarem fazer greve às horas extraordinárias, em dias de descanso e de feriado. Nos dias 23 e 24, 25 e ainda 1 de Janeiro vão estar em greve total, segundo pré-aviso de greve remetido à CP e ao Ministério da Economia e Emprego no final da passada quarta-feira e que a administração da empresa está hoje a analisar.

Uma das razões levantadas pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), que convocou a paralisação, tem a ver com processos disciplinares, conduzidos por parte da CP, relativos à greve geral de 2010.

Segundo disse hoje à Lusa o presidente do SMAQ, António Medeiros, a administração da empresa “desencadeou de forma absurda, sem justificação e de forma ilegal, procedimentos disciplinares”. A CP contrapõe que o que está em causa é o incumprimento, por parte de determinados trabalhadores, de serviços mínimos decretados no ano passado pelo Tribunal Arbitral para o dia da greve de 24 de Novembro e recusa que esteja a conduzir o processo de forma ilegal.

Ao PÚBLICO, a porta-voz da transportadora, Ana Portela, adiantou que a empresa considera extemporâneo que os trabalhadores venham “colocar no âmbito de uma greve a questão da legalidade, ou não, de procedimentos disciplinares, porque é nos fóruns próprios para dirimir as eventuais diferentes interpretações à legalidade da actuação da empresa [que a questão se deve colocar]”.

No pré-aviso de greve, a direcção do sindicato contabiliza processos disciplinares que somam, segundo alega, 620 horas de suspensão, um número que a CP diz que não quer discutir na praça pública. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar o SMAQ.

A CP diz ter sido apanhada de surpresa pelo anúncio da greve, depois de uma reunião na última segunda-feira entre a administração e a comissão de trabalhadores da CP, onde, segundo Ana Portela, os funcionários foram informados da “frágil situação financeira” da empresa “decorrente das graves dificuldades” por causa dos três dias de greves de Novembro (com impacto em oito dias de perturbações e supressões).

“A situação da empresa é muito frágil e decorrente das graves dificuldades que enfrentamos em Novembro e dos esforço que foi preciso fazer in extremis, para pagar salários dos trabalhadores, faz com que este pré-aviso não seja entendido” pela administração, referiu Ana Portela.

Depois de a notícia da greve começar, esta manhã, a circular nas televisões, nas rádios e nos sites informativos, a CP veio admitir que os pagamentos dos trabalhadores da CP, um universo próximo dos seis mil, podem estar em causa em Dezembro, como referiu ao PÚBLICO Ana Portela. Os prejuízos com as greves de Novembro, segundo estima a CP, rondam os 900 mil euros. “Estão em causa os pagamentos de salários em Dezembro”, acentuou, referindo que a empresa “já não tem qualquer possibilidade de recorrer a endividamentos adicionais para suprir a falta de verbas”.

A comissão de trabalhadores informou, entretanto, os sindicatos do universo CP de que vai tomar uma posição esta tarde numa conferência de imprensa, adiantou ao PÚBLICO o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, afecto à CGTP, José Manuel Oliveira. O sindicato admite novas acções de protesto, incluindo greve, mas apenas para o próximo ano.

Quanto à greve, a CP estima “impactos mais imediatos” nas paralisações nos dias colados ao Natal, com “problemas na circulação de comboios” a começarem no dia 22, já que a greve de dia 23 dura 24 horas e tem impactos horas antes por causa dos trabalhadores que entram ao serviço antes do arranque oficial da greve e que apanham as primeiras horas. O mesmo se passa com a paralisação agendada para o dia 1 de Janeiro, que terá impactos já na véspera e no dia seguinte.

Notícia e título actualizados às 14h04

: Acrescenta a reacção da CP à posição do sindicato.

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