Portagens desde hoje

Via do Infante continuou “grátis” para os automobilistas espanhóis

Na EN 125 viram-se hoje mais carros, que fugiram ao primeiro dia de portagens
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Na EN 125 viram-se hoje mais carros, que fugiram ao primeiro dia de portagens Foto: Vasco Célio

Os automobilistas espanhóis que entraram nesta quinta-feira no Algarve, pela auto-estrada 22 (Via do Infante), fizeram-no como se não existissem as portagens que entraram em vigor ali e noutras três ex-Scut (A23, A24 e A25).

As câmaras estavam lá, nos pórticos da A22, mas o sistema informático, logo à saída junto à fronteira, em Castro Marim, não estava operacional. Por isso, muitos deles nem se deram ao trabalho de perguntar se teriam de pagar. A velha Estrada Nacional (EN) 125, proposta como alternativa à Via do Infante, mesmo sem estar requalificada, esteve muito mais concorrida do que habitual. Um cenário que deixa antever que nos próximos dias irá ficar mais concorrida, agora que os portugueses têm de pagar pela A22.

Por ser feriado, a circulação na via longitudinal do Algarve esteve muito aquém daquilo que é habitual, mas o efeito de pagamento na ex-Scut (sem custo para o utilizador, já se fez sentir na EN 125. Os vendedores de laranjas, com banca montada à beira da estrada, mostraram-se esperançados que, a partir de agora, os pequenos negócios venham a ter melhores dias. “Já se nota muito mais carros a circular”, comentou Óscar Coelho, agricultor, em Boliqueime, a publicitar laranjas a 0,60 por quilo. “Nos supermercados, pagam um euro, aqui acham caro”, observou. A partir de segunda-feira, prevê, “o negócio poderá melhorar, porque muitos vão fugir às portagens".

O casal espanhol, Corine e Manuel Utreira, fizeram-se à estrada pensado aproveitar o primeiro dia “grátis” de portagens. "Ouvi três vezes, nas estações de rádio, que hoje, dia da inauguração da instalação de sistema de portagens, não seria pago – decidimos vir aproveitar”, afirmou Corine, quando interpelada pelo PÚBLICO, na estação de serviço de Loulé, depois de ter percorrido mais de 65 quilómetros desde a fronteira.

No aeroporto de Faro, o sistema de pré-pagamento estava a funcionar, mas algumas das empresas de aluguer de carros não informaram os clientes que, a partir de agora, a via tem de ser paga. Os funcionários da Viadirecta, encontravam-se na estação de serviço, para “informar e sensibilizar”, mas a única coisa que faziam era distribuir folhetos, a quem a eles se dirigia.

Criadas há 14 anos, as auto-estradas Scut A22 (Algarve), A23 (Beira Interior), A24 (Interior Norte) e A25 (Beira Litoral/Beira Alta) passam a ser pagas pelos utilizadores.

Em Outubro de 2010, já tinham sido introduzidas portagens nas ex-Scut Norte Litoral, Costa de Prata e Grande Porto. O Governo aprovou, a 13 de Outubro, o decreto-lei que permite a cobrança de portagens nas quatro vias que passam hoje a ser cobradas e o Presidente da República promulgou o diploma a 25 de Novembro, depois de ter pedido alguns esclarecimentos ao Executivo de Pedro Passos Coelho.

De acordo com as taxas publicadas em "Diário da República", um veículo de classe 1 vai pagar entre 11,60 a 19,30 euros em portagens para percorrer as antigas Scut. O documento estabelece uma tarifa de referência de cerca de sete cêntimos (0,07324 euros) mais IVA, por quilómetro, para a classe 1.

As associações de transportadores não planeiam desencadear protestos ou paralisações contra as portagens porque, nesta altura continuam as negociações com o Governo para a obtenção de descontos. Mas o Governo não pode ficar descansado porque as comissões de utentes promete continuar a lutar.