Liga dos Campeões

Malafeev e desacerto na hora do remate colocam FC Porto na Liga Europa

Desalento evidente entre "dragões" logo após o jogo
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Desalento evidente entre "dragões" logo após o jogo Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters

A injustiça do futebol manifestou-se mais uma vez em toda a sua extensão, no Estádio do Dragão. O FC Porto entrou em campo com vontade de passar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas saiu agastado por tantas oportunidades desperdiçadas (0-0) e vai agora disputar a Liga Europa.

Houve algum brilhantismo em momentos da primeira parte e foi entusiasmante o jogo do campeão nacional na segunda metade. João Moutinho esteve notável, James deu outra dimensão ao futebol da equipa nos derradeiros 45’. Mas faltou demasiadas vezes o último toque e a capacidade de decisão de Hulk, frente a um adversário que conta com um guarda-redes enorme: Malafeev. O Zenit passa pela primeira vez à fase seguinte da prova, o FC Porto perde os três milhões de euros que significaria o apuramento.

O FC Porto não conseguiu disfarçar algum desassossego, como é próprio num jogo desta intensidade. Mas a nova versão da equipa de Vítor Pereira (que mantém Maicon adaptado a lateral direito), fundamentalmente com um João Moutinho a jogar mais junto a Fernando, transformando aquele 4x3x3 que acompanhou a equipa até ao desastre de Coimbra num 4x2x3x1, está muitos níveis acima daquela que ainda recentemente se arrastava pelos relvados.

Moutinho parece ter readquirido um estado de forma que há muito não se lhe via e isso faz muita diferença. O momento mais brilhante do pequeno médio aconteceu aos 5’, num passe longo que deixou Djalma isolado. O remate foi bom, mas a resposta de Malafeev foi fantástica. Seguiu-se um bom cruzamento do lateral direito adaptado, mas Hulk cabeceou para as mãos do guarda-redes. James, aos 14’, estoirou quase sem ângulo para mais uma boa defesa de Malafeev, que voltaria a brilhar num livre de Hulk.

A supremacia clara do FC Porto, na primeira parte, expirou aos 33’, após um lance em que os jogadores reclamaram mão de Hubocan na área. Hulk, no eixo do ataque foi sempre manietado pelos dois centrais, que contavam com a ajuda dos dois médios defensivos. Este foi um problema para o brasileiro, que gosta de marcar a diferença através de explosões. Além disso, pela frente estava um Zenit que soube defender de forma consistente. Sem nunca se desorganizar e tentando sair em rápidos contra-ataques. Procurando sempre colocar bolas nas costas da defesa portista e aproveitar a velocidade do muito assobiado Danny, de Fayzulin ou Lazovic. Helton, que passou meia hora como mero espectador, passou a sentir outras dificuldades. Mas por pouco tempo.

Vítor Pereira corrigiu alguns defeitos ao intervalo. Tirou Defour, colocou Kléber no eixo do ataque, Hulk foi para o flanco direito e James passou a actuar no apoio directo ao ataque. Os resultados foram imediatos. A equipa assumiu novamente o domínio do jogo. E, tal como no início da partida, o FC Porto voltou a estar muito perto do golo, aos 49’: Hulk entrou pela direita, mas no momento em que se pedia o remate optou por assistir Djalma e James que surgiam sem oposição. Mas nem um, nem outro conseguiram dar o derradeiro 
toque na bola.

Spalletti viu que a sua estrutura estava a tremer e tirou o ofensivo Fayzulin para reforçar o meio-campo defensivo com Bystrov. Álvaro Pereira rematou fraco quando tinha tudo para fazer melhor e, aos 62’, Moutinho mostrou que os seus piores momentos já passaram e arrancou um remate fantástico de fora da área, ao qual respondeu Malafeev com uma extraordinária defesa. E o guarda-redes repetiu o feito aos 79’, quando James entrou na área e rematou colocado.

O Zenit fechou ainda mais os caminhos da sua baliza com a entrada do ex-portista Bruno Alves para o lugar do ponta-de-lança Lazovic. O central português ainda ajudou a segurar o 0-0. E, no final, saiu do relvado cabisbaixo.

Sobe

João Moutinho


O pequeno médio regressou ao seu melhor nível e esteve brilhante na forma como tirou passes longos para Djalma ou James. Um verdadeiro maestro da equipa. Simplesmente notável. Não é por acaso que parece ser pretendido pelo poderoso Chelsea. Isolou Djalma e obrigou Malafeev a uma defesa brilhante.


MalafeevO guarda-redes russo esteve simplesmente irrepreensível. Os homens do FC Porto falharam muitas oportunidades de golo, mas Malafeev, de 32 anos, defendeu todos os restantes lances que os portistas definiram bem.

Desce

Hulk


O brasileiro habituou os adeptos a decidir. Mas neste jogo não existiu. Hulk foi sempre muito bem marcado, mas também esteve longe do nível que coloca normalmente em campo.


Ficha do Jogo

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.


Assistência 46.512 espectadores.


FC Porto: Helton, Maicon, Rolando, Otamendi (Belluschi, 82’), Alvaro Pereira, Fernando, João Moutinho, Defour (Kléber, 46’), Hulk, James e Djalma (Varela, 68’). Treinador Vítor Pereira.

Zenit: Malafeev, Anyukov, Lombaerts, Hubocan, Criscito, Shirokov (Zyryanov, 46’), Fayzulin (Bystrov, 58’), Semak, Denisov, Danny e Lazovic (Bruno Alves, 82’). Treinador Luciano Spalletti.

Árbitro Carlos Velasco Carballo, de Espanha. Amarelos Anyukov (28’), Helton (39’), Fayzulin (40’), Otamendi (48’), Hulk (71’) e Malafeev (76’).

Notícia actualizada às 22h37