Homem foi detido na semana passada pela PJ

Alegado “estripador de Lisboa” denunciado por filho que queria entrar na Casa dos Segredos

As mulheres assassinadas pelo suspeito eram todas prostitutas
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As prostitutas trabalhavam seis dias por semana Público

O alegado “estripador de Lisboa”, detido na semana passada pela Polícia Judiciária, terá sido denunciado pelo próprio filho, que concorreu ao programa televisivo da TVI “Casa dos Segredos”, contando que o seu segredo era ter um pai assassino.

O rapaz de 21 anos, avançam o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias, não chegou a entrar no reality show, mas a história acabou por ir parar à PJ que, na semana passada, deteve um homem de 46 anos que se suspeita ser o assassino em série que, entre 1992 e 1993, matou três mulheres na capital, ficando conhecido como “estripador de Lisboa”.

Estes crimes, que vitimaram três prostitutas, e que têm em comum o facto de o assassino as ter esventrado – levando parte dos intestinos, fígado e coração –, já prescreveram em 2008 e os processos não poderão ser reabertos, mas há pistas sobre outros mais recentes que conduziram à detenção, disse ontem semanário Sol na sua edição online. O homem em causa chama-se José Guedes, na altura dos primeiros crimes era operário na construção civil e estava agora desempregado, em Matosinhos.

José Guedes foi detido há uma semana pela PJ e ficou preso preventivamente por ordem do juiz de instrução, estando em causa novas ameaças feitas pelo suspeito por SMS e não os crimes do início da década de 1990. O Sol falou com o suspeito, que se confessou responsável pela prática de outros crimes, na Alemanha, onde viveu emigrado por uns anos, e em Aveiro, em 2000. Este último crime, que vitimou uma prostituta de 18 anos, ainda pode ser julgado.

Vários candidatos a “estripadores”

Os conflitos familiares e a descoberta de alguns diários onde o suspeito alegadamente descrevia pormenorizadamente os crimes que cometeu terão estado na base da candidatura do filho de José Guedes à “Casa dos Segredos”. Mas, ao Jornal de Notícias, tanto a mulher do suspeito como o filho garantiram tratar-se de uma brincadeira. O que não seria inédito: desde a década de 1990 que várias pessoas confessaram ser autoras dos crimes que levaram inclusivamente a PJ a contar com a ajuda do FBI, tendo sempre descartado as várias hipóteses.

Os crimes cometidos entre 1992 e 1993 já prescreveram e o caso foi arquivado, mas estes novos que o suspeito agora refere ainda podem ir a tribunal. No final de Julho de 1992, num barracão de armazenamento de produtos químicos, em Odivelas, foi encontrado o cadáver da primeira mulher. Tinha 22 anos, estava praticamente nua e havia sido rasgada e esventrada com uma lâmina. Não fora roubada. Exames periciais indiciaram estar-se em presença de um homicida com grande força física.

Algum tempo depois, o corpo de outra prostituta foi encontrado num barracão sob a linha férrea em Entrecampos, Lisboa. Em comum com a primeira vítima tinha o facto de ser toxicodependente, de estar infectada com o vírus da sida e de não ter sido roubada. No palco deste crime a PJ recolheu os indícios que lhe permitiram suspeitar que o culpado fosse um homem corpulento. O assassino calcou sangue, deixando um rasto, e algum cabelo. A existência de um banco de ADN teria ajudado então a resolver o caso. Meses mais tarde, novamente em Odivelas, outra mulher, com as características das anteriores, foi assassinada pelo mesmo método.