Posição alemão para a Cimeira da próxima semana

Merkel diz que Europa caminha para união orçamental

Sarkozy e Merkel reuniram-se nesta quinta-feira
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Sarkozy e Merkel reuniram-se nesta quinta-feira Foto: Philippe Wojazer/Reuters

A chanceler alemã Angela Merkel disse nesta manhã de sexta-feira, no Parlamento alemão, que a Europa está prestes a criar uma união orçamental, depois de na quinta-feira ter discutido com o Presidente francês formas de “refundar” a Europa.

“Não estamos apenas a falar sobre uma união orçamental, estamos prestes a realizá-la”, disse a governante, acrescentando que serão necessárias “regras rígidas, pelo menos para a zona euro”, disse a chanceler no discurso de apresentação da posição que o seu governo vai defendeu na Cimeira da EU da próxima semana, considerada “crítica” pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

“O elemento central” desta “união de estabilidade” pretendida pela Alemanha será “um novo limite de endividamento europeu”, disse Merkel, que repetiu a sua firme intenção de convencer os seus parceiros da necessidade de mudar os tratados europeus no sentido de exigirem maior disciplina orçamental. “Não há alternativa a uma mudança dos tratados”, afirmou, citada pela agência francesa AFP.

Merkel defende que os actuais critérios de estabilidade instituídos no pacto de criação do euro – o défice não pode ultrapassar 3% do Produto Interno Bruto e a dívida tem de ficar abaixo dos 60% – devem ser substituídos por regras rígidas cujo incumprimento leve a sanções automáticas.

Por outro lado, a chefe do Governo alemão continuou a rejeitar as euro-obrigações (títulos de dívida europeia emitida e garantida conjuntamente pelos seus Estados-membros) como solução para a actual crise aguda da zona euro. “Quem quer que seja que não compreendeu que [as euro-obrigações] não poderiam ser a solução para esta crise não compreendeu a natureza da crise”, disse ainda.

A independência do Banco Central Europeu (BCE), para garantir estabilidade financeira, continua a ser uma das pedras-de-toque de Merkel, que descreveu a instituição como “uma grande conquista da nossa democracia”. “O papel do BCE é preservar a estabilidade financeira”, disse

Angela Merkel e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, têm pressionado a Europa no sentido de se introduzirem alterações às actuais normas europeias, de modo a evitar o colapso da zona euro. Ontem, estiveram a debater formas de “repensar e refundar a Europa”, um plano que pretendem apresentar na Cimeira de Bruxelas, agendada para 9 de Dezembro.

A chanceler alemã dirige-se nesta sexta-feira ao Bundestag, um dia depois de o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter prometido mais disciplina orçamental. Em contrapartida, o líder francês pediu uma "solidariedade sem falhas" a todos os países e ao Banco Central Europeu.

Estas movimentações do directório franco-alemão surgem poucos dias antes da realização da Cimeira da União Europeia, em Bruxelas, marcada para dia 9, onde Merkel e Sarkozy pretendem apresentar um plano conjunto para “refundar” a Europa.

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