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Megafone

Tea for two

Pouco dada a devaneios sociais, anseio vê-lo de costas numa tasca de Lisboa a pedir petingas fritas e uma imperial

Melancolia de Inverno à parte, Anthony Bourdain vem, pela terceira vez, a Portugal. Depois da visita ao Norte do país e aos Açores, vem agora a Lisboa filmar mais um episódio do espectacular No Reservations.

Nos entretantos escreveu o livro "Medium Raw: A Bloody Valentine to the World of Food and the People Who Cook" e trabalhou como argumentista na maravilhosa "Treme", a convite de sua santidade David Simon (note to self: Season 3 estreia16 de Dezembro). Mais recentemente estreou a sua nova série "The Layover", uma paragem em modo ‘fast’, mas não na ‘food’ numa qualquer cidade do mundo. O primeiro episódio foi em Singapura e não é mau, mas a maturidade não perdoa e o rebelde anda sem causa. Atenção: nada disto diminui a sua contribuição para o mundo dos gajos "cool".

Desculpem-me estar a chover no molhado ao escrever de novo sobre ele mas é a única forma. Passo a explicar, é claro que gostaria de o conhecer pessoalmente e fazer uma entrevista digna, mas a muralha burocrática da fama impede-me de o contactar. Pouco dada a devaneios sociais, anseio vê-lo de costas numa tasca de Lisboa a pedir petingas fritas e uma imperial. Eu parava no balcão e conversavamos amenamente sobre a profissão e a vida.

Os encontros casuais já não se fazem como antigamente e a probabilidade torna-se improvável. Nos blogues dos fãs que anseiam pela sua chegada, a pergunta é recorrente: por onde navegará o pirata. Caso seja uma casa portuguesa, aqui está uma, a minha. Convoco também a minha amiga Ana, que é uma das "chefs" mais prendadas que já vi com estes olhos que esta terra há-de comer e juntas pensamos o seguinte.

Menu degustação para Anthony Bourdain: Sopa de favas com uma rodela de chouriço; pataniscas de bacalhau à moda da São com molhanga de tomate caseiro; porquinho assado no forno com alecrim e castanhas; grelos salteados; leite creme queimado com chai. Tudo regado com um encorpado tinto do Douro.

Em seguida, proponho tomar um copo, passar pelo Bairro e, se nos der a larica, experimentar os croquetes, rissóis e bolinhos da senhora que está sentada na soleira da porta; parar na Bica e beber um gin tónico no Funicular; continuar, desviarmo-nos com delicadeza do senhor dos hambúrgueres vegetarianos; descer até ao Cais do Sodré e entrar no Sol e Pesca onde somos sempre bem atendidos e onde nunca é tarde para petiscar a panóplia de delicias que brilham na montra. E ficamos por aqui: não vamos ouvir os Ramones para o Roterdão. Caminharemos até casa, afastando a euforia jovem do caminho. Afinal, já não são horas dos velhotes andarem na rua.