Em simultâneo, Fitch elogia estratégia do Governo e corta rating

Agência de notação financeira diz que serão precisas mais medidas em 2012

Depois da Moody"s, a 5 de Julho passado, ontem foi a vez de a Fitch, outra das grandes agências de notação financeira internacionais, baixar o rating que atribui a Portugal para um nível em que os títulos obrigacionistas do país passam a ter a denominação de junk bond (lixo). A Fitch passou a classificação da República Portuguesa de BBB- para BB+.

Actualmente, a Moody"s já atribui um rating semelhante: Ba2 (o equivalente a BB). A Standard & Poor"s atribui um rating mais alto (BBB-) e a canadiana DBRS mantém-se no BBB. A agência chinesa Dagong também baixou ontem o rating atribuído a Portugal para BB+. A Fitch mantém ainda uma tendência negativa para o rating português.

A nova descida de rating foi vista, por alguns analistas, como o motivo de um desempenho mais negativo da bolsa nacional e de uma subida nas taxas de juro das obrigações. Ainda assim, no imediato, o impacto para Portugal é reduzido, uma vez que o país está, nesta fase, a obter financiamento através dos seus parceiros da zona euro e do FMI. No futuro, contudo, quando Portugal tiver de recorrer de novo aos mercados, estas classificações podem ser importantes.

A Fitch justificou o corte realizado, afirmando que "o grande desequilíbrio orçamental, o elevado endividamento em todos os sectores e o cenário macroeconómico negativo" já não são consistentes com que o anterior rating de BBB+. Em particular, a Fitch assinala a deterioração do cenário económico na Europa, que a leva a antever uma contracção de 3% do Produto, em 2012, em Portugal.

A Fitch até deixa elogios à estratégia seguida pelo Governo e pela troika. E diz acreditar que os objectivos do défice de 5,9% este ano e de 4,5% em 2012 serão cumpridos. No entanto, assinala que, este ano, o objectivo do défice apenas será garantido graças aos fundos de pensões da banca e considera que, para 2012, "o risco de derrapagem - seja devido a piores resultados macroeconómicos ou a um controlo insuficiente da despesa - é grande". Por isso, a Fitch diz que "existe uma probabilidade significativa de que novas medidas de consolidação sejam necessárias em 2012".

A agência mostra ainda uma forte preocupação em relação às pressões provenientes do sector bancário e do sector empresarial do Estado. S.A.