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Fitch corta rating português por causa do baixo crescimento

Agência assinala a realização de reformas por Portugal, mas considera que estas apenas terão efeito a longo prazo.
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Agência assinala a realização de reformas por Portugal, mas considera que estas apenas terão efeito a longo prazo. Enric Vives-Rubio/PÚBLICO

A agência de notação financeira Fitch baixou hoje a classificação atribuída a Portugal de BBB- para BB+, devido às expectativas de crescimento económicas negativas para os próximos anos.

Os títulos portugueses passam assim, para esta agência, para um nível ao qual é atribuída no mercado a denominação de “junk bond” (lixo). Outra agência internacional, a Moody's, já atribui actualmente um rating semelhante a Portugal: Ba2 (o equivalente a BB). A Standard & Poor's atribui um rating mais alto (BBB-) e a canadiana DBRS mantém-se no BBB. A agência chinesa Dagong também baixou hoje o rating atribuído a Portugal para BB+.

Depois de baixar o rating, a Fitch mantém ainda assim uma tendência negativa, o que significa que, no futuro, poderão realizar outros cortes ao rating português. Todas as outras agências também têm uma tendência negativa para a classificação atribuída a Portugal.

A descida de rating de hoje não tem, no imediato, um impacto significativo para Portugal, uma vez que o país está, nesta fase, a obter financiamento através dos seus parceiros da zona euro e do FMI, recorrendo numa escala muito reduzida ao mercado. No futuro, contudo, quando Portugal quiser recorrer de novo aos mercados, estas classificações podem ser importantes.

Com medo dos riscos

Na nota hoje publicada, a agência justifica o corte realizado, afirmando que "o grande desequilíbrio orçamental, o elevado endividamento em todos os sectores e o cenário macroeconómico negativo" já não são consistentes com que o anterior rating de BBB+. Em particular, a Fitch assinala a deterioração do cenário macroeconómico na Europa, que a leva a baixar as persectivas de crescimento para Portugal. Agora, a projecção é de uma constracção de 3% do Produto em 2012, o que "torna o plano do Governo de redução do défice mais difícil e terá um impacto negativo na qualidade dos activos dos bancos".

A Fitch deixa alguns elogios à estratatégia seguida pelo Governo e pela troika. Diz que as reformas estruturais que serão feita deixam o país numa posição mais competitiva, mas apenas no longo prazo.Além disso, acredita que os objectivos do défice de 5,9% este ano e de 4,5% em 2012 serão cumpridos, dizendo mesmo que o Orçamento do Estado está bem desenhado. No entanto, assinala que, este ano, o objectivo do défice apenas será garantido graças aos fundos de pensões da banca e considera que, para 2012, "o risco de derrapagem - seja devido a piores resultados macroeconómicos ou a um controlo insuficiente da despesa - é grande". Por isso, a Fitch diz que "existe uma probabilidade significativa de que novas medidas de consolidação sejam necessárias durante o ano de 2012".

Na nota publicada ontem, a agência mostra ainda uma forte preocupação em relação às pressões provenientes do sector bancário e do sector empresarial do Estado.

Notícia actualizada às 12h15