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A paralisação vai afectar diferentes sectores Enric Vives-Rubio

Paralisação poderá perturbar o Ensino Superior

Maior parte das universidades não conhece nível de adesão à greve, mas prevêem-se perturbações no Ensino Superior

Os principais catalisadores da greve geral desta quinta-feira parecem ser, entre outros secundários, os cortes orçamentais. Por eles, prevê-se que vários sectores da sociedade paralisem. Na verdade, não se pode dizer exactamente o mesmo sobre o sector do Ensino Superior. Mas existirão perturbações — de certeza.

São poucas as universidades que confirmam tal cenário, mas quando o esclarecimento não provém delas, provém de alguém ligado às mesmas. Na Universidade do Porto “é provável que existam perturbações nas aulas e serviços, mas não o encerramento das faculdades”, diz Raúl Santos, responsável pelo gabinete de comunicação da UP.

A última greve geral (há um ano atrás) deixa a previsão de que “haverá cantinas a fechar”, embora isso não seja expectável da parte daquelas que operam em regime privado. O que se sabe é que “o Sindicato Nacional do Ensino Superior vai fazer um piquete em frente à Faculdade de Letras (FLUP)” e, por isso, “é natural que a FLUP tenha uma maior perturbação” do que as outras instituições da universidade. No caso de existirem professores a aderirem à greve, Raúl Santos perspectiva que “quem não vier de manhã [leccionar], não virá da parte da tarde”.

ISCTE pode paralisar

O P3 tentou ainda contactar todas as instituições da Universidade Nova de Lisboa (UNL), mas só de uma obteve resposta, neste caso do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação (ISEGI), que disse não ter informações sobre a sua adesão à greve. Da parte da Universidade de Lisboa (UL), o assessor de imprensa António Sobral apenas declarou não ter “conhecimento, visto que a UL é composta por várias unidades, que são organismos autónomos". "Cada um é livre de fazer greve”.

Contudo, António Vicente, presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), revela que “a Faculdade de Ciências da UL, a Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da UNL e o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL)” vão ser as instituições mais afectadas pela greve, sendo, as duas últimas, aquelas onde existirá “uma maior dinamização, podendo mesmo haver paralisação”. No ISCTE, por exemplo, “está prevista uma assembleia conjunta entre professores e alunos”.

Coimbra vai a Lisboa

Da Universidade de Coimbra (UC) também não veio nenhuma resposta concreta, mas Eduardo Melo, presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), fala num grande interesse na participação. “Pelo que tenho visto, há um grande sentimento de adesão, extra-alunos, inclusive”. Tanto que, pelas 10 horas da manhã, pessoas ligadas à UC vão rumar a Lisboa para se juntarem às manifestações.

“Nós aprovamos e vamos aderir à greve para demonstrar que há dificuldades no Ensino Superior (…) [e mostrar que] não vemos solidariedade por parte das autoridades competentes”. Por sua vez, a solidariedade na adesão à greve deve perturbar o funcionamento da UC, segundo Eduardo Melo: “A maior parte dos serviços vai estar limitada”.

O P3 contactou também a Universidade do Minho, mas não obteve dela uma posição oficial. A verdade é que também lá podem existir docentes e investigadores a aderir à greve, a exemplo de outros 150 que já manifestaram o seu apoio à paragem laboral, num documento intitulado “Em Defesa da dignidade, do Trabalho e do Estado Social, apoiamos a greve geral”, em que criticam as medidas de austeridade implementadas pelo Governo.

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