Indicador de actividade cai para o nível da crise da 2009

Indicador de consumo privado com novo mínimo histórico

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Alexandre Afonso (arquivo)

O indicador coincidente de consumo privado do Banco de Portugal caiu em Outubro para o seu valor mínimo desde que começou a ser calculado, no início de 1978, enquanto o coincidente de actividade económica caiu para o mínimo do pico da crise de 2009.

O valor do indicador coincidente de consumo privado (que representa uma variação homóloga tendencial) divulgado para Outubro é de -3,9, e só representa um mínimo porque o valor do mês passado foi revisto em forte alta, revelam os Indicadores de Conjuntura do Banco de Portugal divulgados hoje.

Nos indicadores divulgados no mês passado, o valor do indicador coincidente de consumo privado relativo a Setembro era de -4,4, o que constituía um mínimo histórico. No entanto, na edição deste mês esse valor foi revisto para -3,7, o que faz com que os 3,9 de Outubro sejam o novo mínimo.

Não é avançada uma explicação para esta revisão no indicador, que está em queda consecutiva desde Maio do ano passado e tem vindo a bater sucessivos recordes negativos mensais desde Agosto, à medida que a crise nacional se vai agravando.

O indicador coincidente mensal de actividade económica caiu por seu lado em Outubro para o mínimo que só se tinha registado na Primavera de 2009, no pico da recessão que se seguiu à crise financeira internacional de finais de 2008.

O actual valor, de -2,9, representa uma variação homóloga tendencial que só é superada pelos -3,1 de Fevereiro e Março de 1984, quando ainda estava em curso a segunda intervenção do FMI em Portugal. Este indicador está em queda consecutiva desde Julho do ano passado.

Também aqui houve uma revisão em forte alta do valor do mês de Setembro, que na edição de Outubro dos Indicadores era de -3,0, enquanto que na hoje publicada passou para -2,4, também sem que tenha sido apresentada uma explicação.

A evolução destes indicadores tem um perfil semelhante à dos indicadores de conjuntura do INE.