O melhor da era Paulo Bento

1. Foi a melhor exibição da selecção portuguesa desde que passou a ser comandada por Paulo Bento, isto se excluirmos a goleada à Espanha, mas aqui num "particular". Claro que houve também 20 minutos iniciais mirabolantes frente à Dinamarca, no Dragão, mas não é hábito ver Portugal tão consistente, matreiro e fecundo como se viu ontem. Claro que fez muita diferença ter voltado a contar com o Cristiano Ronaldo que, alguns, só apreciam com a camisola do Real Madrid. O Estádio da Luz voltou a ser talismã e Portugal junta-se à Alemanha, Espanha, Itália e França no grupo de selecções que estiveram em todos os Europeus e Mundiais desde 2000.

2. Haverá agora a tentação de desvalorizar o feito, mas esta Bósnia era a mesma que não perdia há sete jogos e que, nesse espaço de tempo, só sofreu, em França, um golo (de penálti polémico) que, por sinal, lhe impediu o apuramento directo.

3. Portugal sofreu dois golos, é verdade, mas o segundo nasceu de um lance irregular (fora de jogo). Marcou seis e pode ainda queixar-se de um penálti não assinalado contra a Bósnia.

4. Ao intervalo, o resultado era mentiroso. Portugal merecia muito mais do que a diferença de um golo. Porque tinha mostrado personalidade e espírito solidário. Jogou então com grande intensidade, tal como já fora capaz de fazer em Zenica. A diferença esteve na eficácia concretizadora. Portugal marcou logo à segunda oportunidade, depois de Ronaldo ter dado os habituais quatro passes atrás, antes de disparar o míssil a 30 metros. Mais impressionante ainda foi o golo de Nani, ainda de mais longe e com uma trajectória incrível - nos festejos, Paulo Bento perdeu a "tranquilidade" e fez lembrar as correrias de Mourinho. Ao quatro remate, Portugal somava o segundo golo. Melhor só Postiga, que saiu do jogo com dois golos em outros tantos remates.

5. Até aí e durante mais algum tempo, a Bósnia só se mostrou no processo defensivo. Nada da equipa que há dois anos enviou três bolas ao ferro da baliza de Eduardo (ontem, Dzeko fê-lo uma vez, mas estava fora de jogo).

6. O primeiro remate bósnio surgiu ao minuto 39" (mais cedo do que tinha acontecido nos Balcãs...) e logo a seguir surgiu o penálti, num lance bem ajuizado e em que Coentrão confirmou ainda ter muito a melhorar defensivamente.

7. Portugal terminou a primeira parte com 56% de posse de bola, nove remates (contra dois) e quatro cantos (contra zero). Mais do que a estatística importa relevar a primeira parte soberba de Raul Meireles, num meio-campo todo ele muito eficaz e competente.

8. Safet Sucic não fez substituições ao intervalo, mas baralhou toda a sua equipa. O defesa esquerdo passou para central, Lulic recuou para a defesa e Medunjanin deixou de funcionar como trinco e subiu no terreno. Tudo demasiado confuso. De tal forma que, para Portugal, passou a ser fácil funcionar em transições rápidas, como no lance do 3-1 (passe magnífico de Moutinho para Ronaldo). A expulsão de Lulic foi um golpe devastador na Bósnia. É verdade que ainda reduziu, mas isso foi mais responsabilidade do árbitro e da apatia da defesa portuguesa (Coentrão voltou a estar mal na falta que deu origem ao lance).

9. A entrada de Rúbel Micael (para o lugar de Meireles) retirou coesão ao miolo, mas o ex-portista acabou por estar primoroso no passe que permitiu a Postiga fazer o 4-2 e acabar com as dúvidas. Foi um golo, todo ele, do Saragoça. O que se passou a seguir serviu para premiar o público e aumentar a diferença no marcador, mas também para alguns excessos. De facto, os portugueses também não respeitaram o hino da Bósnia, cujo guarda-redes também foi vítima de lasers.

10. O play-off teve uma grande virtude para Portugal. Permitiu-lhe ganhar mais um jogador e passar a ter um "6" de qualidade. Assim, Miguel Veloso o continue e querer...

Sugerir correcção