Europa não é o epicentro de uma crise mundial, diz o presidente do eurogrupo

Juncker: não há comparação entre o “desastre grego” e as dificuldades de Portugal

Juncker foi hoje recebido pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento
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Juncker foi hoje recebido pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento José Manuel Ribeiro/Reuters

O presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou hoje não ser possível comparar as situações de Portugal e da Grécia e lamentou que os portugueses de baixos rendimentos tenham de pagar um “pesado tributo” para que as contas públicas sejam reequilibradas.

“Não há comparação possível entre a catástrofe do desastre grego e as dificuldades momentâneas de Portugal”, garantiu hoje Juncker, durante uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sobre as lições da crise e o modelo de governação económica para uma união monetária.

O primeiro-ministro luxemburguês admitiu que os portugueses vão sofrer com as medidas de austeridade postas em marcha pelo Governo, mas deu a entender que não vê alternativa a este caminho.“Fico triste que os portugueses de baixos rendimentos tenham de pagar um pesado tributo” para que as finanças públicas sejam reequilibradas”, acentuou.

O responsável do eurogrupo apelou, por isso, a que o Governo não insista sobre as necessidades de saneamento sem mostrar as possibilidades que estas políticas de consolidação encerram em termos de crescimento. “Um país que aumenta o nível da dívida pública nunca mais volta ao crescimento económico”, alertou.

“Fico furioso quando dizem que o euro está em crise”

Juncker considerou, ao mesmo tempo, que o euro não está em crise e que os europeus não estão a mostrar-se orgulhosos do que a união económica e monetária conseguiu alcançar. “Contrariamente à concepção que atravessa o continente europeu, o euro não está em crise”, afirmou. “Fico furioso quando ouço dizer isso”, reforçou.

Para o líder do eurogrupo, há uma crise da dívida soberana de alguns países e não uma crise do euro. “Transmitimos a impressão de termos fracassado em toda a linha, de não sabermos para onde vamos, mas a razão para esta amargura que muitos europeus têm em relação ao euro decorre do facto de não estarmos orgulhosos do que conseguimos alcançar”, afirmou.

De acordo com o presidente do eurogrupo, um dos maiores feitos foi, precisamente, a criação da moeda única, algo que “ninguém acreditava que fossemos capazes de o fazer, incluindo vários países europeus”.

Outra conquista, salientou Juncker, foi a taxa de inflação, que, desde a criação da moeda única, se tem mantido abaixo dos 2%. O primeiro-ministro luxemburguês recordou que, nos anos 80 e 90, a inflação na Europa chegava aos 12%. Do mesmo modo, desde que surgiu a moeda única, a economia europeia criou 14 milhões de empregos, o que compara com os 9 milhões criados nos EUA.

“Não é correcto dizer que a zona euro se encontra num epicentro de uma crise mundial”, afirmou Juncker, salientando que a união monetária tem muitos aspectos positivos que, infelizmente, não estão a ser devidamente considerados pelos mercados.

Notícia actualizada às 19h42