Recessão leva portugueses a cortar 8% nas compras de Natal

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Maioria dos portugueses diz ter menos para gastar no Natal Nuno Ferreira Santos

A conclusão – de um estudo a publicar esta terça-feira pela empresa da consultoria e auditoria Deloitte – vem antecipar indirectamente, para esta época, aquilo que mostram os números dos últimos meses sobre a evolução do consumo privado, que, em Setembro, contraiu 4,4 pontos – o maior retrocesso desde 1978.

A procura tende a crescer em Dezembro em relação aos outros meses do ano, mas saber se o mesmo vai acontecer este ano ainda é uma incógnita. Para já, pode apenas avaliar-se uma previsão de gastos menor que coloca Portugal no segundo da lista com a contracção mais significativa entre os 18 países considerados no estudo (15 da União Europeia, mais Ucrânia, Rússia e África do Sul).

A contracção é, ainda assim, menos drástica do que a previsão para a Grécia, o epicentro da crise da dívida e onde os consumidores esperam reduzir o orçamento de Natal em 22%. “Claramente, a expectativa de redução do orçamento não é tão significativa [em Portugal] como seria de esperar”, avalia Pedro Miguel Silva, analista da Deloitte, para quem o padrão de consumo português mostra, apesar de tudo, alguma resiliência nesta época.

O estudo, que em Portugal inquiriu 805 pessoas (18.354 nos 18 países), foi realizado na segunda e terceira semanas de Setembro, quando era já conhecido que o Governo ia avançar com um imposto extraordinário, mas não contabiliza nas tendências sobre a percepção da evolução da economia em 2012 as medidas de austeridade anunciadas para o próximo ano, nomeadamente os cortes (totais e parciais) nos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas.

O inquérito mostra que 62% dos portugueses dizem ter menos dinheiro para gastar neste Natal. Mas 28% contam ter o mesmo montante para gerir na quadra e há ainda 10% que esperam ter mais para gastar face ao Natal de 2010.

Portugal está em recessão desde o início do ano (com uma contracção de 0,9%) e assim continuará, pelo menos, por mais um ano, com a economia a bater na recessão mais profunda desde 1975, a cair 2,8%, segundo prevê o Governo.

Uma esmagadora maioria dos portugueses (88%) tem clara percepção de que a economia está em queda em 2011. Mas há ainda 4% de portugueses a acreditar que a actividade económica estava a crescer, assim como outros 4% a considerar a economia apenas tinha estagnado.

Na prática, nove em cada dez sabem que a economia está em contraciclo com o desempenho da zona euro (um crescimento de 1,6% no segundo trimestre). Num ano, essa percepção aumentou em 48 pontos percentuais, mas está longe do salto (78%) que dera em 2008, quando a Europa importou dos Estados Unidos uma crise financeira que arrastou Portugal para uma profunda recessão em 2009.

Só na Grécia a percepção da crise é superior (92%), mas nem Itália, nem Irlanda, nem Espanha (por esta ordem) deixam de estar no topo da lista, a seguir a Portugal, como os países onde é maior a percepção de que a economia está em contracção.

Para 2012, há menos pessoas a apontar para uma queda da actividade económica do que a percentagem dos que têm essa percepção relativamente a este ano. São 72% a apontar para uma recessão, mas há ainda uma franja de 12% que não sabem como evoluirá a economia, 10% a preverem que estará em estagnação e 5% que estará a crescer.