Parlamento vota hoje contas de 2010

Juros italianos atingiram novo pico e mantêm-se em níveis insustentáveis a prazo

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Max Rossi/ Reuters (arquivo)

Os juros italianos a dez anos atingiram hoje um novo recorde da era do euro ao início da manhã, quando às 7h22 chegaram a 6,775 por cento, continuando a aproximar-se da fasquia psicológica dos 7%, um nível tipicamente considerado incomportável.

As taxas da Itália naquele prazo (referência nos mercados) desceram entretanto ligeiramente, e pouco depois das 10h30 estavam em 6,564%, ligeiramente abaixo do fecho de ontem, segundo dados da agência Reuters, a fonte do PÚBLICO para este tipo de dados.

As taxas a cinco anos subia, sensivelmente (para 6,716%) e a dois anos estavam estáveis face à véspera, após um pico em 6,596% perto das 8h, num dia em que o Governo italiano enfrenta no Parlamento uma votação crucial para a sua sobrevivência.

Mesmo que não alcancem o limiar dos 7% (um nível tido como incomportável para os países endividados), as taxas de juro italianas estão já em níveis insustentáveis atendendo ao volume da sua dívida pública, de 120% do PIB (na Europa, só a grega é maior).

O seu ministro das Finanças, Giulio Tremonti, anulou a participação numa reunião com os seus homólogas da EU, hoje em Bruxelas, e regressou a Roma, onde o Parlamento vai votar as contas de 2010 do país, devendo ser votada uma moção de confiança nos próximos dias. Correram rumores da demissão do primeiro-ministro, que este entretanto desmentiu.

A preocupação com a dívida pública italiana é crescente, o que constitui um pesadelo para a zona euro, pois as necessidades de financiamento do país muito dificilmente poderão ser resolvidas pelos parceiros do euro se a sua gigantesca dívida pública, de quase 1,9 biliões (milhões de milhões) de euros no final do ano passado, deixar de ser financiável nos mercados – como aconteceu já com a Grécia, Irlanda e Portugal.

As taxas espanholas a dez anos mantinham-se estáveis um pouco acima de 5,62%, enquanto as portuguesas avançavam para 12,083%, ainda abaixo do máximo alcançado no início de Julho.