I Liga

O contestado Vítor Pereira falhou a moção de confiança

Álvaro Pereira e Edson lutam pela bola
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Álvaro Pereira e Edson lutam pela bola Foto: Rafael Marchante/Reuters

O FC Porto não foi além do empate (0-0) no terreno do Olhanense. Os “dragões” cederam a terceira igualdade em dez jornadas e podem ser ultrapassados na liderança do campeonato pelo Benfica.

A exibição portista não foi boa e o treinador Vítor Pereira até viu Hulk desperdiçar uma grande penalidade.

Nestes tempos de planos de resgate e moções de confiança, Vítor Pereira não conseguiu fazer como o primeiro-ministro grego Georgios Papandreou. Este obteve a confiança do Parlamento de Atenas e negoceia um governo de unidade. O técnico do FC Porto voltou a ver a equipa fazer uma exibição cinzenta e perdeu margem de manobra, após a derrota (1-2) em Nicósia, diante do APOEL.

O técnico portista fez duas alterações na equipa, relativamente ao jogo anterior: sem Fucile nem Sapunaru, adaptou Maicon ao lado direito da defesa. No ataque, James Rodríguez regressou à titularidade, relegando Varela para o banco de suplentes.

Durante a semana, na antevisão da partida, o técnico “azul e branco” tinha sublinhado a união da equipa e o empenho em realizar uma boa exibição. “Queremos ser FC Porto, mas ser FC Porto no carácter, na entrega e na qualidade”, afirmou o técnico, de cara fechada e discurso crispado. “Estamos a lutar contra muita coisa, muita gente que nos quer mal pelo que ganhámos”, acrescentou Vítor Pereira, o retrato de um homem acossado.

Mas não era contra um inimigo exterior que o FC Porto tinha de combater e isso ficou patente logo no início do jogo, em Olhão. Sem que tivessem ainda feito qualquer coisa por isso, os “dragões” tiveram uma oportunidade flagrante de golo: com apenas dois minutos, o árbitro João Capela assinalou penálti por falta de Maurício sobre Kléber. Na cobrança, Hulk viu Fabiano brilhar duas vezes. Primeiro com a mão e depois com o pé, o guarda-redes dos algarvios evitou a vantagem portista.

O FC Porto começou a definhar. Diante de uma equipa muito compacta e aguerrida, os “dragões” tiveram muitas dificuldades em encontrar espaços. Mostraram poucas ideias e sucederam-se os passes errados, as bolas para fora e os cortes desnecessários para canto. Bem na defesa, o Olhanense mostrava-se pouco esclarecido quando saía para o ataque, com Wilson Eduardo sozinho contra a defesa adversária.

Após uma primeira parte quase sem história, o FC Porto pareceu regressar melhor no segundo tempo, com Hulk (48’) e Mangala (50’) a desperdiçarem boas oportunidades. Aos 53’ o defesa francês chegou a introduzir a bola na baliza do Olhanense, mas o jogo já tinha sido interrompido por falta sobre Fabiano.

O tempo passava e o jogo do FC Porto não convencia. Vítor Pereira trocou Kléber por Walter, e mais tarde retirou Fernando e Belluschi para colocar em campo Guarín e Defour. Nada deu resultado. E até foram os algarvios a estar perto do golo: Wilson Eduardo (62’ e 78’) teve o golo nos pés, mas perdeu no duelo com Helton.

Antes do final, ainda ficou por marcar uma grande penalidade favorável aos portistas, por falta sobre Hulk. Mas a exibição estava a ser tão desinspirada que nem houve muitos protestos. O FC Porto empatou em Olhão, o que não acontecia desde 1963-64, e deixou a liderança do campeonato à mercê do Benfica.

POSITIVOFabiano

Ainda nem sequer tinham passado cinco minutos e já o guarda-redes brasileiro somava duas grandes intervenções. Diante de Hulk, defendeu um penálti e ainda impediu a recarga. Pregou alguns sustos aos adeptos, mas foi importante para segurar o empate.


Olhanense

Muito solidária e aguerrida, a equipa de Daúto Faquirá deixou a pele em campo e mereceu o empate. Maurício, Mexer, Ismaily, Nuno Piloto, Fernando Alexandre e Wilson Eduardo foram algumas das boas exibições nos algarvios.


NEGATIVOFC Porto

Vítor Pereira tinha prometido uma equipa “à FC Porto na entrega e na qualidade”, mas não foi isso que se viu em Olhão. Os “dragões” sentiram dificuldades e não mostraram ideias para chegar à vitória. Podem-se queixar da sorte, no penálti desperdiçado por Hulk, mas a sorte também se constrói.


Ficha de jogo

Olhanense, 0


FC Porto, 0


Jogo no Estádio José Arcanjo, em Olhão.Assistência Cerca de 3.275 espectadores.

Olhanense

Fabiano Freitas, Mexer, Maurício, André Pinto, Ismaily, Fernando Alexandre, Cauê, Nuno Piloto, Salvador Agra (Figueroa, 90’+2’), Wilson Eduardo (Ivanildo, 81’) e Mateus (Rui Duarte, 68’). Treinador Daúto Faquirá.

FC Porto

Helton, Maicon, Rolando, Mangala, Álvaro Pereira, Fernando (Guarín, 72’), Belluschi (Defour, 72’), João Moutinho, Hulk, Kléber (Walter, 59’) e James Rodríguez. Treinador Vítor Pereira.

Árbitro

João Capela, de Lisboa.

Amarelos

Maurício (3’), Fernando (31’), Rolando (33’), João Moutinho (57’), Salvador Agra (58’) e Cauê (90’+1’).

Notícia actualizada às 22h58