Em Cannes

Cimeira do G20 acaba sem compromisso de apoio ao fundo de resgate europeu

Barack Obama e Angela Merkel conversam à parte, em Cannes
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Barack Obama e Angela Merkel conversam à parte, em Cannes Foto: Dylan Martinez/Reuters

O fundo de resgate europeu não será reforçado com a ajuda dos países emergentes, como chegou a ser discutido pelos representantes das principais economias mundiais. A cimeira do G20 chegou ao fim, ao final da tarde desta sexta-feira, sem acordo para ajudar a resolver a crise das dívidas soberanas.

Em Cannes, os chefes de Estado e de Governo deram conta do seu apoio aos países europeus em dificuldades. Mas recusaram ajudar com dinheiro. “Quase nenhum país aqui disse estar disposto a participar no fundo de resgate da zona euro”, observou a chanceler alemã, Angela Merkel, numa conferência de imprensa.

A China e o Brasil eram vistos como potenciais investidores, mas a resposta destes dois países foi cautelosa. Exigem ambos mais detalhes sobre o plano de resgate. A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, foi mais lacónica: “A Europa terá de pôr a própria casa em ordem”. “Não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para este apoio financeiro”, concordou o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

O tema dominou os dois dias da cimeira no sul de França. No final, o Presidente norte-americano brincou com a situação, dizendo ter aprendido muito sobre o “laborioso” processo de decisão europeu. Barack Obama assegurou que a União Europeia (UE) pode contar com um “parceiro forte”, os EUA, mas que, “em última análise, o mais importante é que a Europa dê um sinal forte de que apoia o euro”. “Estou certo de que a Europa está à altura de enfrentar as suas dificuldades”, acrescentou.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, aceitou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a UE supervisionem a aplicação das medidas de austeridade decididas esta semana. As reformas anunciadas são fruto da pressão dos parceiros europeus, tendo em vista o equilíbrio das contas italianas. Foi a consequência mais visível da cimeira.

O FMI desempenharia, de resto, um papel central na segunda hipótese que chegou a ser equacionada em Cannes para apoiar os países europeus em dificuldades. A ideia era dotar o FMI de capacidade financeira suficiente (280 a 300 mil milhões de dólares, ou seja, 203 a 218 mil milhões de euros) para apoiar grandes economias em risco, como a italiana e a espanhola. Também aqui não se chegou a acordo.

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