Jovens são os que estão numa posição mais vulnerável

Presidente da Ordem diz que 40% dos arquitectos podem ficar sem emprego

Os ateliers estão a ficar mais pequenos
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Os ateliers estão a ficar mais pequenos Nuno Ferreira Santos (arquivo)

Mais de 40 por cento dos cerca de 20 mil arquitectos portugueses correm o risco de ficar sem trabalho devido à paralisação do investimento público e privado, disse à agência Lusa o presidente da Ordem dos Arquitectos.

João Belo Rodeia referiu que os arquitectos mais novos são os mais atingidos pela crise, mas “de toda a classe se ouvem queixas de falta de encomendas”.

“É uma situação que se vem agravando nos últimos dois/três anos. Neste momento, há muito pouco investimento por parte do Estado e também por parte dos privados”, salientou.

João Belo Rodeia realçou que muitos jovens arquitectos, em número que a Ordem não dispõe, não conseguem encontrar primeiro emprego em Portugal e estão a emigrar.

“A Ordem dos Arquitectos não se pronuncia sobre a vontade de os arquitectos emigrarem. Mas serem obrigados a isso é que é negativo”, frisou.

O presidente referiu que, “oficialmente, o número de desempregados na arquitectura não é muito diferente do de outras profissões, rondando os 10 por cento”, mas sublinhou que a percentagem real “é francamente maior”.

“Não se deve confundir desemprego com falta de trabalho. Muitos arquitectos nem sequer se podem inscrever como desempregados porque nunca tiveram emprego”, afirmou.

João Belo Rodeia acrescentou que “muitos ateliers estão a ficar mais pequenos, ao verem-se forçados a prescindir dos serviços de colaboradores, sobretudo aqueles que normalmente só trabalham na área de projecto”.

“É preciso pensar o que é que vem a seguir à crise. É importante que o Governo faça planeamento e projecto para o futuro”, defendeu, lamentando que o programa do executivo seja “um pouco vago sobre o futuro do país”.

O presidente reclamou também que as ordens profissionais, designadamente a dos arquitectos, sejam mais ouvidas pelos diferentes departamentos governamentais, nomeadamente o Ministério da Economia.

“Enviamos memorandos sectoriais com agendas para diferentes ministérios e, quatro meses depois, tem sido difícil até reunir com alguns departamentos”, disse.

Notícia corrigida às 11h51, de 03.11.2011:

Onde se lia "Bastonário" passa-se a ler "presidente". Onde se lia "Roseira" passa-se a ler "Rodeia".