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Políticos que suaram a camisola

Marat Safin é o mais recente caso de um desportista de elite que decidiu mudar de campeonato. Em Dezembro, compete por um lugar na Duma, o parlamento russo

No dia em que divulgou uma das estatísticas mais improváveis do circuito ATP (ao longo da carreira, terá partido 1055 raquetas), Marat Safin voltou a emaranhar as redes do ténis. Do ténis e da política, na verdade. "Sou um tipo inteligente e tenho muitas ideias." Foi desta forma que o campeão do Open da Austrália de 2005 justificou a candidatura à Duma, o parlamento russo. É o senhor que se segue na galeria dos desportistas que trocaram as promessas de vitórias pelas promessas eleitorais.

Sebastian Coe, duplo campeão olímpico dos 1500m pelo Reino Unido, tornou-se membro do Parlamento inglês a reboque do Partido Conservador, em 1992. George Weah, futebolista do ano em 1995, falhou as presidenciais da Libéria em 2005 mas promete voltar a tentar. Bernard Laporte, antigo treinador da selecção de râguebi francesa, vestiu a pele de secretário do Desporto do Governo de Nicolas Sarkozy até 2009. Como eles, há outros. Muitos outros que deixaram de ser alvo da crítica desportiva nos jornais para passarem a figurar na secção de política.

Safin, aos 31 anos, decidiu também tentar a sorte. Impulsivo, deixou os "courts" em 2009, passou pelos gabinetes da federação russa de ténis e pelos corredores do comité olímpico. Agora, quer conhecer os cantos à Duma. Apontamento de político com futuro: "Estou muito empenhado". Apontamento de humorista de ocasião: "Poderei ser o homem mais bem parecido do Parlamento, mas só porque todos os outros já têm mais de 60 anos", ironizou, em Chengdu, China, à margem de um torneio que reuniu velhas glórias do ténis.

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Kevin Johnson completou um bacharelato em Ciência Política antes de entrar na política Paul Buck/Reuters

"É um novo desafio"

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Manny Pacquiao chegou à Câmara dos Representantes das Filipinas Robin Beck/Reuters

Se chegar a entrar no imponente edifício da assembleia, para ocupar uma das 450 cadeiras do poder, é muito provável que Safin venha a cruzar-se com Garry Kasparov, a mega-estrela do xadrez que chegou a concorrer às presidenciais em 2007 e que encabeçou uma coligação de oposição a Vladimir Putin. "É um novo desafio. Há uma série de coisas que quero fazer", insiste, a respeito das eleições de 4 de Dezembro, o tenista que venceu o primeiro torneio ATP aos 19 anos.

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Garry Kasparov, a mega-estrela do xadrez, encabeçou uma coligação de oposição a Vladimir Putin Shannon Stapleton

Com a mesma idade, Manny Pacquiao conquistava o primeiro de 17 títulos no boxe, graças a um dos muitos KO que tem aplicado ao longo da carreira. Do ringue para a luta política foi um passo. Em 2010, o pugilista aproveitou uma gritante notoriedade desportiva para convencer os eleitores a reservarem-lhe um lugar na Câmara dos Representantes das Filipinas, em representação da província de Sarangani.

E se a Pacquiao bastou encarnar o papel de protagonista do sonho filipino (passou do anonimato das ruas a ídolo nacional) para ganhar a lotaria política, Kevin Johnson teve de se esforçar um pouco mais. O antigo base dos Cavaliers e dos Suns, três vezes escolhido para o All-Star Game da NBA, completou um bacharelato em Ciência Política, na Universidade da Califórnia, anos antes de se candidatar à Câmara de Sacramento. Em 2008 arriscou e o "K.J." dos tempos do basquetebol deu lugar ao Mayor Kevin Maurice Johnson.

O mesmo poderá acontecer em breve com Marat Safin, que se arrisca a deixar cair alcunhas como "Giant killer" ou "The new terminator", em prol de uma missão mais patriótica. Até porque, apesar da permanente exposição pública, continua a ser alérgico ao estatuto de vedeta. "Quando alguém nos considera uma celebridade, parece que está a tentar transformar-nos num robot. Eu sou um ser humano."