Crise da dívida

George Soros propõe sete medidas-chave para salvar a zona euro

Soros é o sétimo norte-americano mais rico de 2011
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Soros é o sétimo norte-americano mais rico de 2011 Jorge Silva/ Reuters

Sete medidas num plano para salvar a zona euro da crise da dívida soberana. Depois de encabeçar uma carta de apelo à resolução da crise, o milionário George Soros volta a dirigir-se aos líderes europeus, desta vez propondo uma série de medidas urgentes para acalmar os mercados e os países da moeda única poderem avançar para uma política fiscal comum.

O investidor húngaro-americano elaborou um curto plano, hoje tornado público, com algumas medidas que considera essenciais para salvar a zona euro e dar um sinal de unidade europeia aos mercados. São sete os passos que Soros pede para serem dados no imediato.

Na véspera de uma cimeira onde os chefes de Estado e de Governo europeus ultimam uma solução duradoura para a Grécia, Soros pede que os Estados-membros se ponham de acordo sobre a criação de um “Tesouro comum” no qual seriam chamados a participar o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Cooperando entre si, à autoridade monetária caberia apenas fornecer liquidez à zona euro e ao fundo de socorro do euro aceitar o risco de solvência dos 17 países da moeda única.

Soros propõe, de seguida, que o FEEF assuma os títulos de dívida grega detidos pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional, para que, reestabelecendo a cooperação entre o BCE e os Governos, houvesse uma “redução voluntária significativa da dívida grega com a participação do FEEF”.

Como terceira medida, o sétimo norte-americano mais rico de 2011, segundo a revista Forbes, diz que o fundo de resgate do euro deve ser “usado para garantir o sistema bancário” e não a dívida pública dos Estados-membros da zona euro. Próximo, neste ponto, das posições alemãs quanto ao papel do fundo de resgate do euro, Soros diz mesmo que este esquema seria “mais útil para a França do que a recapitalização imediata” da banca europeia.

Quarto ponto: Aos maiores bancos deveriam “aceitar receber instruções do BCE em nome dos Governos”. Aos que se recusarem a isso, acentua, seria negado acesso à “janela de desconto do BCE”.

Ainda no sector financeiro (quinta sugestão de Soros), a autoridade monetária da zona euro deve “manter as linhas de crédito e as carteiras de empréstimos”, ao mesmo tempo que cada instituição reforçaria por si própria o controlo de risco dos bancos. Uma medida que, segundo este gestor de interesses de capitais de risco, faria desaparecer “uma das principais fontes da crise de crédito actual” e tranquilizaria os mercados financeiros.

O BCE deve baixar as taxas de desconto. É a sexta proposta de Soros, de forma a encorajar os Governos a privilegiarem a emissão de Bilhetes do Tesouro e os bancos “a manter a sua liquidez, na forma desses Bilhetes do Tesouro em vez de depósitos no BCE”.

Por último, Soros traça um cenário em que os problemas da crise da dívida seriam ultrapassados se os líderes mostrarem unidade política e vontade de resolver a situação europeia. “Os mercados ficarão impressionados com o facto de as autoridades estarem unidas e haver fundos suficientes ao seu dispor”. Nessa equação, Itália seria capaz de se financiar no mercado a taxas de juro sustentáveis, os bancos poderiam ser recapitalizados e os países acordar uma política orçamental comum numa atmosfera de acalmia.