Preparação da cimeira europeia do fim-de-semana

França e Alemanha querem FEEF com um a dois biliões de euros

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Philippe Wojazer/ Reuters (arquivo)

A França e a Alemanha terão aparentemente chegado já a um acordo para dotar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) de capacidade adicional para poder lidar com um possível alastramento da crise da dívida a Itália e/ou a Espanha.

Os dois países terão acordado uma aumento da capacidade do FEEF para um bilião (milhão de milhões) ou mesmo dois biliões de euros, segundo notícias surgidas na imprensa internacional de ontem para hoje, que dão conta do estado da questão entre os dois países, no âmbito da preparação da cimeira europeia que este fim-de-semana deverá dar uma resposta à crise das dívidas na zona euro.

O jornal Financial Times Deutschland deu conta ontem à noite de que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble tinha evocado o valor de um bilião de euros como sendo o valor da futura capacidade de empréstimo aumentada do FEEF, que tem como função ajudar os países da zona euro com dificuldade de financiamento nos mercados financeiros.

No entanto, um artigo do diário britânico The Guardian, publicado ontem on-line ao fim da tarde, dava conta de que o valor envolvido no FEEF seria de dois biliões de euros, após o seu aumento, dizendo que era isso que seria posto à consideração dos outros países para aprovação na cimeira do fim-de-semana.

Enquanto o Financial Times Deutschland diz que o ministro das Finanças alemão lançou aquele valor numa reunião com os deputados da maioria conservadora CDU/CSU no poder, The Guardian cita diplomatas europeus não identificados.

O jornal britânico lembra que a crescente confiança em que possa ser alcançado um acordo na cimeira de líderes europeus no domingo surge no meio de novas pressões dos mercados sobre a dívida francesa, cujos juros nos mercados secundários alcançaram o maior diferencial face à dívidas alemã em quase vinte anos, após a agência Moody´s ter ameaçado por sob revisão negativa a cobiçada nota triplo-A da dívida francesa, justamente devido à eventual necessidade de o país ter de resgatar mais países ou bancos.

No cenário desta degradação se confirmar, isso poderá colocar novos problemas à França, pois aumentará ainda mais os seus custos de financiamento nos mercados, incluindo os necessários para aumentar o capital do FEEF.

O mecanismo actualmente em discussão para o FEEF permite-lhe garantir uma parte das emissões obrigacionistas dos países em dificuldades , com o objectivo de fazer como que os investidores exijam taxas menos elevadas quando países como a Espanha ou Itália quiserem endividar-se nos mercados primários.

A AFP dizia que circulava a ideia, ainda não confirmada, de que os dois partidos no poder na Alemanha pretendiam convocar para amanhã reuniões extraordinárias dos seus deputados, com o objectivo de validarem as mudanças no FEEF que estarão a ser negociadas pelo seu Governo.

Notícia actualizada às 10h00