Sargento já está em Israel

Shalit em liberdade: “Estou muito emocionado. Não via pessoas há muito tempo”

O primeiro-ministro israelita saúda Shalit à chegada à base de Tel Nof
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O primeiro-ministro israelita saúda Shalit à chegada à base de Tel Nof Reuters
Shalit na base de  Kerem Shalom após os primeiros exames médicos
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Shalit na base de Kerem Shalom após os primeiros exames médicos Reuters
Palestinianos libertados por Israel à chegada a Rafah
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Palestinianos libertados por Israel à chegada a Rafah Andrew Winning/Reuters

Ao fim de mais de cinco anos, o sargento Gilad Shalit voltou hoje a Israel, onde foi recebido num ambiente de euforia.

“Espero que este acordo promova a paz entre Israel e os palestinianos”, disse Shalit numa entrevista à televisão egípcia, depois de ter sido transferido para a base de Kerem Shalom, que separa o Egipto de Israel.

Shalit afirmou ter sido bem tratado pelo Hamas e está de boa saúde, mas “com saudades da família”. O sargento disse ainda que só há uma semana descobriu que tinha havido um acordo para a sua libertação, assinado entre o Hamas e Israel (e mediado pelo Egipto), e que temia ficar em cativeiro “por muitos mais anos”, cita o “Ha’aretz”.

“Estou muito emocionado. Não via pessoas há muito tempo”, desabafou. De resto, está desejoso de “falar com pessoas” e “não fazer as mesmas coisas durante todo o dia”.

As primeiras imagens do sargento (visto pela última vez num vídeo de dois minutos em Outubro de 2009) mostravam o jovem com um boné preto, sempre com homens a agarrarem-no pelo braço.

Uma fonte do Hamas adiantou à BBC que até os 477 presos palestinianos serem libertados, os seus soldados acompanhariam sempre Shalit.

Shalit, que durante estes anos esteve presos em Gaza num local secreto, foi levado esta manhã para o território egípcio, atravessando a fronteira de Rafah. Em Kerem Shalom fez uma chamada para os pais e foi examinado por médicos, sendo de seguida transportado por helicóptero para a base aérea israelita de Tel Nof, onde se reencontrou com a família e foi saudado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Festa nos territórios palestinianos

Também já começaram a chegar a Gaza a maior parte dos 477 palestinianos libertados hoje. Outros irão para a Cisjordânia e outros ainda para um país terceiro – Turquia, Síria e Qatar aceitaram acolhê-los.

Segundo a AFP, pelo menos 200 mil pessoas juntaram-se em Gaza para dar as boas vindas aos 296 presos, que chegaram no final da manhã a Rafah. Segundo a BBC, 180 já estão mesmo em Gaza. Está previso que o chefe do governo do Hamas, Ismail Haniyeh, faça um discurso.

Ao início da manhã, uma coluna de detidos palestinianos tinha abandonado uma prisão no Sul de Israel, enquanto um grupo mais pequeno saiu de uma outra penitenciária no centro do país - ambos sob fortes medidas de segurança. Mais de mil polícias israelitas estavam espalhados pelos trajectos-chave desta troca de prisioneiros.

Os restantes 550 prisioneiros palestinianos deverão ser libertados dentro de dois meses. Este acordo prevê a libertação total de 1027 detidos palestinianos – o número mais elevado de sempre em troca de apenas um soldado israelita.

Shalit disse na entrevista que deseja que mais palestinianos presos possam voltar para as suas famílias, mas espera que “não voltem a atacar Israel”.

O caso emocionou o país e a sua família manteve sempre acesa a luta pela sua libertação, mas há muitos israelitas que viram membros das suas famílias mortos por militantes palestinianos e que se opõem, por princípio, a qualquer libertação massiva de prisioneiros.

“Eu entendo a vossa dificuldade em aceitar que estas pessoas vis que cometeram crimes hediondos contra os vossos entes queridos não paguem o preço que merecem”, escreveu Netanyahu numa carta endereçada às famílias israelitas que perderam alguém em ataques levados a cabo por palestinianos.

Apesar disso, uma sondagem levada a cabo em Israel dá conta que 79% dos israelitas inquiridos apoia esta troca, embora 50% destes admita temer que estas libertações possam fazer ressurgir o terrorismo.

Notícia corrigida às 12h51. Onde se lia, por lapso, "o primeiro-ministro palestiniano Benjamin Netanyahu", deve ler-se "o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu"
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